quarta-feira, 20 de setembro de 2017

“preconceito não, pós-conceito! É feia igual a você”

 INTOLERÂNCIA, VIOLÊNCIA E CRIME

Após participar de um ensaio fotográfico nu, realizado no início deste mês, e divulgar o resultado nas redes sociais, a estudante e Miss Beleza Negra 2016, Ediane Caetano, de 21 anos, sofreu ataques racistas de internautas no Acre. As ofensas, feitas por meio de comentários na publicação da jovem, começaram pouco depois de o trabalho ser divulgado na mídia.

“Sou obrigado a achar negra dos cabelos de bucha uma lindeza!!”; “Que mulher horrível”. Essas foram algumas das frases pejorativas destinada a jovem em uma página no Facebook. Após saber das ofensas, a estudante registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e ingressou com uma ação cível contra o internauta.

Ela soube dos ataques somente no dia 11 deste mês, mas eles vinham sendo feitos em dias anteriores. Nas imagens, é possível ver que outros internautas defendem a miss.

“Recebi muitos comentários positivos, mas também vieram os negativos, quando fui hostilizada. Me agrediram de forma brutal. Nunca fui atrás de confusão com ninguém, jamais humilhei ninguém para conseguir o que quis. Fiquei chocada. Mesmo após 130 anos de abolição da escravatura, ainda existe gente com pensamento racista. É inadmissível lidar com essa intolerância no século XXI”, lamenta Ediane.

A miss conta que recebeu apoio de diversas pessoas que condenaram os ataques racistas. Mas, mesmo assim, um dos internautas que desferiram as ofensas continuou com os insultos.

Mesmo advertido por outra pessoa de que estava praticando preconceito, o rapaz afirmou: “preconceito não, pós-conceito! É feia igual a você”. Ediane enfatiza que mesmo com a dignidade ferida, ela não deixou com que as agressões tirassem a coragem de enfrentar a situação constrangedora.

“Fiz esse ensaio para quebrar qualquer tipo de preconceito. Para que as pessoas se aceitem do jeito que são. Não vou baixar a cabeça, é por isso que existe preconceito hoje, porque as pessoas não lutam pelos seus direitos, mas vou lutar pelo meu. Como mulher, mãe e negra me senti ofendida, justamente pelo momento que estou passando [a gravidez]”, enfatiza a universitária.

Ediane conta ainda que ficou abalada com a situação que classifica como inadmissível. Ela lembra que o racismo ainda é recorrente na sociedade, mas que casos como o dela não são solucionados por falta de denúncia.


“Essa questão é pouco discutida, mas muito séria. Espero que se faça justiça. Não sei se, por meio da minha denúncia, vou mudar alguma coisa, mas vou confiar nas instituições”, finaliza.