quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

NOVOS TEMPOS, VELHAS PRÁTICAS: E O LIXO DEBAIXO DO TAPETE

Faculdade do RS suspende matrícula de alunos 
que fizeram críticas na web 
Fisma diz que avaliará conduta de nove alunos devido a mensagens ofensivas (Foto: Reprodução/RBS TV)
Uma faculdade particular de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, suspendeu as matrículas de alunos que criticaram a instituição em uma rede social na internet. A direção diz que nove acadêmicos passarão por um procedimento administrativo por terem postado "mensagens ofensivas", mas uma estudante diz que há cerca de 20 pessoas nesta situação, e algumas temem perder as bolsas e os financiamentos do governo federal.

Carlita diz ter ficado decepcionada com a Fisma
(Foto: Reprodução/RBS TV)
Uma das postagens foi feita por Carlita dos Santos Borba, aluna do sétimo semestre de Psicologia da Faculdade Integrada de Santa Maria (Fisma). Ela diz ter escrito um texto após um professor ser demitido sem que os alunos fossem avisados. "O professor deu aula num dia e na outra semana não estava mais, com provas marcadas. Trocaram sem nos avisar. Eu achei um desrespeito, por isso fiz o desabafo", justifica.

Ela conta que, depois do desabafo, recebeu por e-mail o aviso de que teve a matrícula suspensa, mas sem uma explicação do motivo. Filha de Carlita, a advogada Lilian Borba diz ter pedido explicações à faculdade, mas não teve resposta. "Eles estão se comportando como uma criança de 12 anos que não sabe ouvir críticas", disse.

Carlita e Lilian contam que mais de 20 alunos que curtiram ou compartilharam a mensagem estão na mesma situação. Muitos têm financiamento estudantil, como é o caso de uma estudante que teme perder o benefício. "Sinto-me coagida, porque é o sonho da minha vida que está sendo ameaçado", diz a discente, que pediu para não ser identificada.

A direção da Fisma confirmou ter aberto um procedimento administrativo contra nove alunos, mas por causa de outras mensagens que seriam mais ofensivas, com palavras grosseiras, que estão no processo, mas foram apagadas das redes sociais. O diretor da instituição, Ailo Saccol, explicou ainda que o caso está sendo avaliado por uma comissão de professores, alunos e integrantes da comunidade, que analisará o parecer jurídico da instituição e ouvirá todos os estudantes.

"Eles estão denegrindo a imagem da instituição, dos professores e diretores que estão formando eles. Então eles estão denegrindo o próprio diploma", disse Saccol.

O diretor acrescentou a investigação deve ser concluída em 10 dias e que os alunos, se não forem punidos, poderão fazer a rematrícula até o dia 20 de fevereiro. A Fisma declarou também que está fazendo um recadastramento com todos os alunos que têm financiamento do Financiamento Estudantil (Fies) e bolsas do Programa Universidade Para Todos (ProUni) e do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies), a pedido do Ministério da Educação, e que a solicitação de documentos aos alunos não tem relação com as mensagens postadas em redes sociais.


Fonte: http://g1.globo.com/rs