domingo, 25 de dezembro de 2016

Síndrome de Burnout: A doença do esgotamento profissional

“(…) um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional”.


Que o estresse faz parte da vida, não se discute. O problema é quando ele drena as energias e leva ao esgotamento físico, mental e emocional. Com vocês, a síndrome de burnout

Não importa a profissão, o estresse faz parte do dia a dia num mundo cada vez mais competitivo. A Síndrome de Burnout é uma das consequências deste ritmo atual: um estado de tensão emocional e estresse crônico provocado por condições de trabalho desgastantes. O próprio termo “burnout” demonstra que esse desgaste danifica aspectos físicos e psicológicos da pessoa. Afinal, traduzindo do inglês, “burn” quer dizer “queima” e “out” significa “exterior”.

Descrita pela primeira vez em 1974, pelo psicólogo teuto-americano Herbert Freudenberger, a inspiração para o nome veio do título do romance “A Burnt-Out Case”, do escritor inglês Graham Greene. Na época, Freudenberger notou o desgaste físico e emocional dos profissionais que trabalhavam com dependentes químicos. 

A síndrome de burnout é caracterizada por transtornos físicos e mentais relacionados ao trabalho e se manifesta principalmente naqueles que exercem funções em que o contato com outras pessoas é direto e intenso. “Estamos falando de gente competente, entusiasmada com o que faz, que tem um alto nível de expectativa em relação ao próprio desempenho e que, por isso mesmo, não consegue lidar com a frustração e os limites da realidade. Digo que há os que trabalham como se tocassem flauta e os que parecem carregar um piano de cauda com um elefante em cima. Os últimos são as maiores vítimas”, explica Alexandrina Meleiro, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e da Associação Brasileira de Psiquiatria.

A médica diz que a síndrome se traduz por um sentimento de exaustão e decepção extremo com a carreira, situação que contamina a vida pessoal e familiar e pode até levar ao suicídio. A gaúcha Ana Maria Rossi, doutora em psicologia clínica e comunicação verbal e presidente da filial brasileira da International Stress Management Association (Isma), enumera três gatilhos: falta de reconhecimento; sentimento de injustiça ao ser preterido em uma promoção, por exemplo; violação, quando o profissional age contra seus valores e, em uma situação hipotética, mente sobre as qualidades de um produto para bater as metas de venda.

SINTOMAS

Há diversos sintomas, que, em fase inicial, até se confundem com a depressão. Por isso, é importante um diagnóstico detalhado. O esgotamento físico e emocional é refletido através de comportamentos diferentes, como agressividade, isolamento, mudanças de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, falha da memória, ansiedade, tristeza, pessimismo, baixa autoestima e ausência no trabalho. Além disso, há relatos de sentimentos negativos, desconfiança e até paranoia.

É possível que o paciente sofra fisicamente com a doença, com dores de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma e distúrbios gastrointestinais, respiratórios e cardiovasculares. Em mulheres, é comum alterações no ciclo menstrual.

Para se curar, o primeiro passo é se afastar do trabalho. Pela legislação atual, portadores de burnout têm direito à licença médica e, em casos considerados graves, até à aposentadoria por invalidez. A psicóloga Eliane Torrezan alerta: “É preciso alterar o estilo de vida, pois, com a síndrome, o lazer, a prática de atividades físicas e a alimentação ficam comprometidos. É necessário adotar novos hábitos e questionar-se sobre os próprios limites de forma realista”. A psicóloga lembra também que é comum a pessoa tirar férias, acreditando que isso pode solucionar o problema. Mas basta pisar na empresa novamente para sentir que está exatamente no mesmo ponto de antes. “A prática regular de exercícios físicos é fundamental, pois ajuda na liberação de substâncias ligadas ao bem-estar. Ter hobbies e vida social também. É preciso reservar pelo menos uma hora por semana para si”, ensina a psicóloga.

SEM LIMITES

A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a auto-estima pela capacidade de realização e sucesso profissional. O que tem início com satisfação e prazer, termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio, necessidade de se afirmar, o desejo de realização profissional se transforma em obstinação e compulsão. 

Estágios

São doze os estágios de Burnout:

  •  Necessidade de se afirmar;
  • Dedicação intensificada – com predominância da necessidade de fazer tudo sozinho;
  • Descaso com as necessidades pessoais – comer, dormir e sair com os amigos começam a perder o sentido;
  • Recalque de conflitos – o portador percebe que algo não vai bem, mas não enfrenta o problema. É quando ocorrem as manifestações físicas;
  • Reinterpretação dos valores – isolamento, fuga dos conflitos. O que antes tinha valor sofre desvalorização: lazer, casa, amigos, e a única medida da autoestima é o trabalho;
  • Negação de problemas – nessa fase os outros são completamente desvalorizados e tidos como incapazes. Os contatos sociais são repelidos, cinismo e agressão são os sinais mais evidentes;
  • Recolhimento;
  • Mudanças evidentes de comportamento;
  • Despersonalização;
  • Vazio interior;
  • Depressão – marcas de indiferença, desesperança, exaustão. A vida perde o sentido;
  • E finalmente, a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, que corresponde ao colapso físico e mental. Esse estágio é considerado de emergência e a ajuda médica e psicológica uma urgência.
PÉ NO FREIO

Os casos de burnout têm aumentado tanto que o Spa Lapinha, localizado na cidade de Lapa, no Paraná, desenvolveu um programa especialmente para isso. “Algumas pessoas chegam aqui tão cansadas que só querem dormir, e fazem isso por alguns dias”, afirma o médico e nutricionista Daniel Boarim, diretor clínico do Lapinha.

Uma avaliação médica determina se o paciente sofre de depressão, ansiedade ou de alguma doença como diabetes, por exemplo. “Nossa visão é holística e investimos no tripé alimentação saudável, atividade física e gestão do estresse”, afirma o médico.

Os pacientes também passam por um detox. “A maioria não come direito e isso, além do estresse em si, tem muito impacto sobre a saúde”, afirma Boarim. Como a ordem é desacelerar, os quartos não têm TV nem Wi-Fi e até os aromas dos ambientes são pensados para proporcionar bem-estar. Entre as terapias disponíveis, 20 tipos de massagem, musicoterapia, além de acupuntura, hidroterapia, shiatsu capilar, meditação e orações para quem for religioso.

O ideal é que a estadia dure três semanas ou dez dias, no mínimo. Na saída, o paciente leva um “plano de metas”. “De nada adianta sair daqui desacelerado e sem olheiras, sentindo-se bem e saudável, e voltar ao ritmo antigo”, finaliza Boarim.

FORA DE CONTROLE

Os sintomas mais frequentes da síndrome de burnout:

Corpo
– fadiga constante
– dor de cabeça
– aumento da frequência cardíaca mesmo em repouso
– distúrbios alimentares
– alterações do sono
– dores musculares
– alterações de peso
– perda da memória
– baixa libido

Mente
– dificuldade de concentração
– humor depressivo
– ansiedade
– distanciamento emocional dos fatos (a pessoa fica apática, entra no piloto automático)
– insatisfação com a atividade atual e a carreira


Fontes: http://www.uniica.com.br/
             http://glamurama.uol.com.br/
             https://dirceurabelo.wordpress.com