sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A VIDA DE UMA ' KUMARI DEVI ', DEUSA VIVA

Só no isolamento das montanhas do Nepal é que a prática de glorificar raparigas pré-pubescentes (em nepalês, a palavra “kumari” significa “menina virgem”) como deusas vivas durante vários anos consecutivos se transformou num culto profundamente enraizado e esta tradição ainda é energicamente alimentada. Para os budistas newar, a kumari é considerada a encarnação da divindade feminina suprema Vajradevi, um Buda. Para os hindus, ela encarna a grande deusa Taleju, uma versão de Durga.

No estranho mundo das crenças do Nepal, existe uma que afirma que algumas crianças, em particular meninas, são encarnações de deuses. Essas meninas são chamadas de Deusas Viventes e são adoradas por milhares de hinduístas e budistas até que chegue à adolescência, quando a vida de deusa acaba e ela pode seguir vivendo uma vida normal. 

A palavra Kumari traduzida significa virgem. Algumas meninas deixam suas casas e vão morar em templos e só saem desses templos quando sua presença é necessária durante algum festival ou desfile, sendo apresentadas como objetos de culto.


O processo de seleção para se encontrar uma Kumari é parecido com o dos lamas tibetanos, onde acredita-se que haja a reencarnação de uma predecessora. A criança é escolhida entre os 3 e 5 anos de idade por um Buddhista Shakua clã. Eles escolhem entre milhares de meninas as que apresentam os 32 sinais auspiciosos da divindade. Sinais de beleza, proporção, inteligência, coragem, etc.

Vejamos um pouco sobre a vida de uma menina Kumari, que os nepaleses consideram a encarnação da deusa Kali, que os protege do mal e oferece boa sorte.

Kumari, Samita Bajrachari, sendo adorada durante um festival.
Samita Bajracharya tinha 9 anos 
quando ela se tornou uma Kumari Devi - uma 'deusa viva'.

A palavra Kumari traduzida significa virgem. Algumas meninas deixam suas casas e vão morar em templos e só saem desses templos quando sua presença é necessária durante algum festival ou desfile, sendo apresentadas como objetos de culto.

Durante o ano, Kumari é levada para diferentes lugares, onde as pessoas podem prestar homenagem a ela.

Kumari Samita Bakracharya está vestida com uma roupa tradicional para sua apresentação. Kumari é vestida pela sua família como símbolo de respeito.


Kumari é poibida de abandonar o templo.



Antes de cada cerimônia a menina Kumari recebe o símbolo de um terceiro olho na testa.


Samita Bakracharya en uma apresentação en uma procissão, no Nepal.
Kumari é considerada sagrada e não pode pisar no chão, por isso ela é sempre levada por alguém. 
A menina é proibida de ir à escola e ter uma vida normal junto à sociedade.


As meninas são consideradas deusas até que alcancem a madurez sexual, então sua vida muda por completo. Elas começam a se preparar para o ritual Gufa, durante o qual a menina fica em um quarto fechado onde só pode ser visitada por amigos e familiares.


A última etapa do ritual Gufa.


A mãe solta o cabelo da filha antes de realizar o ritual.


Depois do começo da primeira menstruação, a menina passa por um ritual de 12 dias chamado Gufa, depois do qual a vida como Kumari termina, e ela começa sua vida totalmente normal.

Crê-se que o espírito da deusa, shakti, que entra no corpo da menina quando ela se torna kumari, sairá do seu corpo se ela perder sangue.


Depois do ritual Gufa, a vida da menina como Kumari termina, ela vai a um rio próximo, solta seus cabelos e retira o terceiro olho que havia sido desenhado em sua testa.


Depois de viver anos como Kumari, Samita Bajracharya se movimenta com dificuldade, devido aos muitos anos sem caminhar.


Samita Bajracharya volta para sua família, como mostra a foto abaixo: com seu pai, irmão mais velho e a mãe.


Agora Samita Bajracharya pode fazer tudo o que não podia antes. Na foto abaixo, ela toca um instrumento tradicional da Índia, o sarod, dentro do seu quarto na cidade de Patan, Nepal.


Como Samita Bajracharya não ia à escola, ela perdeu muitos anos. Na foto abaixo ela estuda com um professor em sua casa. Graças ao seu ex status como deusa, seus estudos são gratuitos.


Samita Bajracharya agora pode jogar com seus amigos e ir à escola.


Agora Samita é uma adolescente normal e vai à escola como todas as outras crianças.


Infelizmente há uma superstição que quem casa com uma ex Kumari não tem sorte e pode morrer jovem... Portanto depois de passar anos dentro deste templo sendo a deusa viva ela quando sai dificilmente consegue constituir uma família!

A tradição tem sofrido críticas por parte dos activistas dos direitos humanos, segundo os quais se trata de uma forma de abuso de menores que inibe a liberdade das raparigas e a sua educação e é particularmente prejudicial para as kumaris régias de Katmandu e Patan, que devem seguir regras estritas de pureza e segregação.

No entanto, em 2008, o Supremo Tribunal do Nepal rejeitou a petição apresentada por uma mulher contra a tradição, evocando o seu significado cultural e religioso. Quatro kumaris (em Katmandu, Patan, Bhaktapur e Nuwakot, uma fortaleza na rota comercial que atravessa o vale até ao Tibete) recebem apoio governamental sob a forma de uma bolsa mensal durante o período de permanência no cargo e uma pensão vitalícia após a reforma. Em termos efectivos, porém, o valor deste subsídio mal chega para suportar os custos de vestuário e materiais de culto.


Fonte: http://denise-mundoafora.blogspot.com.br; 
           http://www.bbc.com; 
           http://curioso.cc/entertainment/37241
          Reuters/Navesh Chitrakar