domingo, 13 de novembro de 2016

Marcha pela humanização do parto pede o fim da violência obstétrica no Piauí

Com foco no alerta aos casos de violência obstétrica e aos altos índices de partos do tipo cesariana, o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI), com apoio de outras entidades, realiza, no dia 19 de novembro, a IV Marcha Pela Humanização do Parto. O evento começa às 16 horas, saindo da Ponte Estaiada até o Parque Potycabana.

Por ano, no Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registra o índice de 55% de cesarianas entre os partos realizados. O número alto, frente aos 15% recomendados pela Organização, acompanham também os casos de violência obstétrica relatados por mulheres que tem o direito ao atendimento humano, integral e de qualidade, desrespeitado.


A enfermeira obstetra e conselheira do Coren-PI, Tatiana Melo, diz que nenhuma gestante pode ser forçada à fazer uma cesariana ou ter direitos básicos negados durante todo o parto. “Muitas mulheres relatam que foram proibidas de gritar ou falar no trabalho de parto, foram submetidas a epistomias desnecessárias (é o corte indiscriminado do períneo, região muscular entre o ânus e a vagina), sofreram formas de tratamento discriminatórias ou foram impedidas de ter um acompanhante. São abusos que a sociedade não pode permitir”, afirma.

Negar o direito ao acompanhante, não dar informações claras sobre o estado de saúde da mulher para a família, deixar a mulher sozinha, não oferecer opções para o alívio da dor, realizar exames de toque repetidamente, fazer piadas com paciente, são manifestações da violência obstétrica. Ela pode ocorrer de forma verbal, física, psicológica e sexual. “São abusos que devem ser denunciados. A atuação das entidades de classe, como o Coren-PI, é fundamental no acompanhamento dessas denúncias e do comportamento dos profissionais envolvidos nos casos”, explica Tatiana.

O convite da organização da IV Marcha de Humanização do Parto é para que toda a sociedade esteja engajada na defesa dos direitos da gestante. Realizada pelo Coren-PI, o evento tem apoio do Senatepi, Sesapi, Abenfo, Conselho Regional de Fisioterapia, ABEN, representantes das maternidades particulares e públicas, assistentes sociais e enfermeiros obstetras que se mobilizam e dividem as responsabilidades para a realização do ato.

Fonte: http://cidadeverde.com/