sábado, 12 de novembro de 2016

Jovens suspeitos de passar dinheiro falso em boate devem ser indenizados

Os jovens presos por, supostamente, passar dinheiro falso em uma casa noturna de Rio Branco, receberam direito a uma indenização de R$ 4 mil por danos morais. Os clientes, incluindo um agente penitenciário, foram presos em janeiro desde ano dentro da boate após denúncia anônima.

A decisão é do 1º Juizado Especial Cível da Comarca de Rio Branco e cabe recurso. A condenação foi publicada nesta sexta-feira (11) pelo Tribunal de Justiça do Are (TJ-AC). Os representantes da casa noturna não foram encontrados até a publicação desta reportagem.

No dia 10 de janeiro, Adalberto Sales, de 29 anos, Odair da Silva Freitas, de 37, Wellington Ferreira, de 25, Elisson de Souza, de 30, e o agente penitenciário Josimar Oliveira da Silva, de 28 anos, foram encaminhados para a Delegacia de Flagrantes (Defla) após serem presos em uma casa noturna. A Polícia Civil fez a apresentação informando que o grupo estava com ao menos R$ 600 em notas que seriam falsas.

Dezoito dias após a prisão, a Polícia Federal anunciou que o dinheiro apreendido com os jovens era verdadeiro e encerrou o inquérito. Já no dia 29, a Associação dos Servidores do Sistema Penitenciário do Acre (Asspen-AC) convocou uma coletiva para informar que iria processar o Estado por ter prendido e apresentado um servidor sob a suspeita de participar de uma quadrilha.

Para a juíza Lilian Deise, a boate ofendeu a honra e imagem dos clientes quando os acusou de estar passando notas falsas no local. A acusação teria provocado desgaste emocional, dor e sofrimento aos jovens. A publicação ressalta que devem ser pagos R$ 4 mil para cada um dos jovens.

Um dos advogados de defesa dos clientes, Daniel Duarte, disse que o grupo de amigos era cliente antigo no local e foi constrangido pelos seguranças. Duarte contesta a versão da polícia de que seria uma denúncia anônima.

"A informação veio de dentro da casa noturna, não era algo de rotina e nem denúncia anônima. Tem um segurança que é amigo de um policial e de imediato chegou uma viatura da polícia. Os seguranças chegaram e abordaram eles acusando de estar passando notas falsas. Foi uma arbitrariedade", relatou.

Duarte disse também que a imagem dos clientes foi veiculada na mídia como participantes de uma quadrilha. Sobre a indenização, o advogado acrescentou que o valor deveria ser maior devido ao constrangimento causado aos jovens. "Foi algo bem constrangedor e por causa disso eles entraram com processo. Nem usaram o termo suspeito. Em todo caso afirmaram que eles estavam passando notas falsas", concluiu.

Casa noturna
Em sua defesa, a casa noturna alegou à Justiça que apenas denunciou o fato ao 190 e não tomou outra providência. A boate disse que deixou a cargo da polícia tomar as medidas necessárias para achar os culpados do suposto crime, segundo a Justiça.

Sobre a exposição dos clientes, os representantes alegaram que em nenhum momento os proprietários da casa publicaram alguma notícia sobre o caso e que tudo foi feito por parte da imprensa e polícia local.

Fonte: http://g1.globo.com/