terça-feira, 20 de setembro de 2016

POLICIA CIVIL NO DISTRITO FEDERAL

Em assembleia convocada para a última sexta, 16, pelo Sinpol-DF, os policiais civis rejeitaram, por unanimidade, a proposta oferecida pelo Governo do Distrito Federal (GDF) durante audiência de conciliação no Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) ocorrida horas antes.

Embora na audiência passada tanto o TJDF quanto os integrantes do Ministério Público (MPDFT) tivessem exigido que o GDF apresentasse uma proposta plausível, dentro dos anseios da categoria, o governo apresentou mais um recuo propondo a aplicação de 7,5% em outubro de 2017; 8% em outubro de 2018; 8,5% em outubro de 2019 e 8,5% em outubro de 2020.

Os índices propostos, portanto, não correspondem ao que os policiais civis reivindicam, que é a manutenção da isonomia com a Polícia Federal (PF) em índices e datas. O acordo já fechado entre a PF e o governo federal prevê 37% em três anos, acabando em 2019.

“O GDF não teve a intenção, até o momento, de entrar em acordo com os policiais civis”, criticou Rodrigo Franco “Gaúcho”, presidente do Sinpol-DF. Para ele, o governo insiste em fazer propostas que a categoria vai rejeitar. No caso dessa última, além do prazo esticado há um impacto financeiro menor do que a primeira proposta apresentada.

“Não há vontade de avançar nas negociações e fazer um acordo com os policiais civis. O governo já sabe o que queremos, mas sempre tem oferecido índices menores. Essa é a quarta proposta e o GDF insiste pare que recusemos”, acrescentou Gaúcho.

MANOBRA DO GDF

Ainda de acordo com o presidente do Sinpol, os dirigentes do Sindepo-DF colocaram uma contraproposta à mesa que foi recusada pelo governo.

Os integrantes do MPDFT e a desembargadora que media a audiência, então, indagaram mais uma vez se há vontade do GDF em resolver a situação, propondo a manutenção da paridade. Os representantes do governo voltaram a repetir que vão estudar os números.

“O GDF se utiliza de um jogo sujo, fazendo propostas que vamos recusar para nos colocar como intransigentes, colocando a população contra os policiais. Nós vamos lutar pela manutenção da isonomia até o fim. Temos disposição para isso e não vamos desistir”, afirmou Gaúcho.

No decorrer desta semana, dirigentes do Sinpol e Sindepo se reunirão com o governo extrajudicialmente, pois não havia datas para uma nova audiência de conciliação em pouco tempo. Espera-se, contudo, que venha uma nova proposta. O encontro deve ocorrer até quarta, 21.

DELIBERAÇÕES

Diante do impasse decorrente da intransigência do governo, a categoria deliberou por manter a operação “PCDF Legal”. Na quarta, 21, haverá uma manifestação em frente a todas as delegacias com a instalação de caixões aludindo à morte da segurança pública do DF.

Na quinta, 22, às 10h, ocorre uma audiência pública para discutir o uso do Fundo Constitucional na Câmara Legislativa.

Os policiais civis da base do Sinpol também deliberaram por exigir uma manifestação e postura mais contundente dos delegados, representados pelo Sindepo, sobre a adesão ao movimento. Dirigentes das duas entidades devem se reunir para discutir o assunto também nesta semana.

Uma nova assembleia será convocada até sexta, 23. Horário e local serão decididos em reunião com os representantes sindicais. Essas datas podem, porém, ser antecipadas a depender do rumo das negociações.

DELEGACIAS

A diretoria do Sinpol-DF esclareceu, ainda, a medida que resultou no fechamento do plantão das delegacias circunscricionais. Desde a última quarta, 14, várias unidades passaram a funcionar do meio-dia até às 19h.

Depois desse horário, o cidadão só conseguirá atendimento em uma das nove delegacias que funcionam como Central de Flagrantes (Ceflag) – apenas a 18ª, em Brazlândia, mantém o funcionamento inalterado, mesmo não sendo uma Ceflag.

Embora se trate de uma decisão administrativa da Direção Geral da Polícia Civil do DF (PCDF), ela também pode ser tida como resultante das constantes denúncia do Sinpol sobre o déficit no efetivo e o excesso de trabalho que isso tem trazido aos policiais.

“O governo caminha para quebrar vários paradigmas: além de ameaçar nossa isonomia, é o primeiro que fecha delegacias ao invés de abri-las”, frisou Gaúcho.

“Isso vai entrar para o currículo deste governador. Só nessa gestão já aconteceu fechamento de delegacias, entrega de cargos de chefia e aumento dos índices de criminalidade”, acrescentou o presidente do Sinpol-DF.

“ENROLLEMBERG”

Ainda nesse âmbito, a assembleia desta sexta trouxe uma novidade: a partir de então, todos os atos deflagrados pelos policiais civis contarão com a presença ilustre do “Enrollemberg”.

Trata-se de um boneco inflável com 10 metros de altura que representa o governador Rodrigo Rollemberg no corpo do personagem “Pinóquio”. O boneco é inspirado no “Pixuleco”, que é utilizado por pessoas contrárias ao ex-presidente Lula.

Na primeira aparição, o Enrollemberg foi içado junto a 1.073 cruzes que simbolizam o número de cidadãos do DF que perderam a vida por causa da violência nos dois primeiros anos do atual governo.

rodape

Fonte: http://sinpoldf.com.br/