quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Seguranças pedem mudanças na lei após roubo e mortes em carros-fortes

Categoria só pode usar armamento inferior ao que criminosos tem acesso. 


Seguranças e empresas que atuam no transporte de valores pedem uma mudança na lei que regulamenta atividade. Eles alegam que se sentem desprotegidos com as armas que são autorizadas a utilizar durante o trabalho. A discussão veio à tona após uma quadrilha interceptar e explodir dois carros-fortes na última segunda-feira (1º), na BR-153, entre Morrinhos e Goiatuba, no sul de Goiás. Três vigilantes morreram.

De acordo com a Lei 7.102, de junho de 1983, o vigilante só pode portar, quando estiver em serviço, revólver calibre 32 ou 38. Se estiverem fazendo transporte de valores, também poderão portar espingardas calibre 12, 16 ou 18.

Em contrapartida, as quadrilhas usam armamento bem mais pesado. No assalto que vitimou os três seguranças, o grupo disparou com uma metralhadora calibre 50, considerada artilharia antiaérea, ou seja, conseguem derrubar até mesmo avião.

O empresário da área de transporte de valores, Ivan Hermano Filho, diz que o arsenal das empresas é limitado, pois serve apenas para uso de curta distância. Além disso, ele critica a entrada de armas contrabandeadas no país.

"Nosso desejo realmente é que nossa fronteiras fossem resguardadas de forma tal que não permitissem que armas de grosso calibre não entrassem no Brasil. Mas enquanto isso não acontece, nós precisamos do equilíbrio de forças", pondera.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores de Segurança Privada (Contrasp) aprova a ideia, mas pede, além da atualização da lei, pede que as empresas invistam mais em escolta para os trabalhadores.

"Uma operação como essa, com três carros forte, carregado de dinheiro tinha que ter um helicóptero, tinha que ter alguém vigiando porque era muito dinheiro que eles estavam transportando", diz o presidente do órgão, João Soares.

Prisão
A Polícia Civil de Goiás confirmou que dois homens presos em São Paulo integram a quadrilha que praticou o assalto e matou os três vigilantes. Com dupla, foram encontrados fuzis, metralhadoras, coletes à prova de balas, explosivos, máscaras, materiais usados para arrombar cofres e cerca de R$ 700 mil. Os objetos estavam escondidos em um caminhão.

A titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Goiás, Adriana Ribeiro, explicou que os suspeitos confessaram à polícia a participação no assalto. No entanto, segundo a delegada, como eles usam documentos falsos, ainda não foram identificados.

O responsável pelo Grupo Antirroubo a Banco da Deic, Alex Nicolau Nascimento Vasconcelos, está em São Paulo para interrogar os detidos. A polícia acredita que os outros seis homens estejam envolvidos. Eles estão foragidos.

Assalto
A quadrilha utilizou dois caminhões para bloquear a rodovia e fazer com que os carros-fortes parassem na BR-153. Dois dos três veículos foram explodidos. Além dos três funcionários mortos, outros nove foram rendidos pelos criminosos, mas foram libertados depois da ação, sem ferimentos.

A violência do ato surpreendeu até mesmo a polícia. “Modus operandi ousado, peculiar, a gente não sabe o motivo que os levaram a tamanha agressividade", conta o delegado. Por enquanto, nenhuma linha de investigação está descartada.