sábado, 18 de outubro de 2014

Mãe arquiteta plano e forja sequestro do próprio filho

Depois de mobilizar vários agentes da Polícia Civil na procura pelo bebê Ícaro Augusto Souza Pereira, de 1 ano e 8 meses, a mãe dele, Kayth Monique Pereira de Souza, de 19, confessou que o filho não tinha sido sequestrado e que a história que ela contou não passava de uma mentira. Após ser interrogada, ela acabou afirmando que, na verdade, doou o menino para um casal de Bragança Paulista. A criança, que estava desaparecida desde a noite da quarta-feira (15), foi encontrada e trazida para Sorocaba na noite da quinta-feira (16). 

“Tudo não passou de uma invenção. A mãe da criança forjou toda a história, porque ficou desesperada em contar à família que tinha doado a criança, no entanto não se arrependeu do que fez”, disse o delegado titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), José Humberto Urban Filho, que detalhou ontem o caso, desde o início até a apuração e a resolução, em coletiva de imprensa concedida na Delegacia Seccional de Sorocaba. 

Segundo Urban Filho, a localização do bebê foi descoberta graças ao trabalho da Polícia Civil de Sorocaba, juntamente com os policiais civis de Bragança Paulista. “O menino foi encontrado bem-vestido e alimentado. Acreditamos que o casal não sabia de nada e agiu de boa fé para adotar a criança, pois até mesmo tinha comprado fraldas e roupas. Eles ficaram surpresos quando chegamos à cidade para buscar a criança. A mulher, inclusive, ficou desapontada e não queria ficar sem o bebê.”

À princípio, a polícia começou a investigar o caso como sequestro e estupro, como foi registrado na delegacia do plantão norte. Várias hipóteses foram analisadas, inclusive a de que a criança pudesse ter sido assassinada. Após descobrirem que a mãe tinha doado a criança, os policiais conseguiram ter acesso às mensagens de e-mail trocadas entre Kayth e a mulher de Bragança, marcando o encontro para entrega da criança, no estacionamento de um hipermercado na Avenida Brasil, zona norte. “O Setor de Inteligência também descobriu que a mulher era cadastrada num fórum da internet, sobre mães que procuravam uma adoção. Kayth viu o perfil dela e disse que estava disposta a doar seu filho, porque não tinha condições financeiras para o criar e queria mudar-se para Brasília, onde tinha arranjado um emprego. A mulher, então, interessou-se e, até mesmo, assinou um documento informal, com firma reconhecida, concordando com a adoção”, afirmou o delegado assistente da DIG, Acácio Aparecido Leite. 

A polícia também acessou as mensagens que a mulher enviou ao celular da moça, dizendo que não conseguia encontrar o local combinado para a entrega da criança. As mensagens foram enviadas justamente na hora em que a mãe disse que fora sequestrada com o bebê, o que comprovou para a polícia mais uma vez que tudo não passava de uma farsa. 

SIMULAÇÃO – Os delegados acreditam que depois que a jovem deu o menino, ela desesperou-se em contar à família toda a verdade. Por isso, enquanto caminhava pela cidade, inventou que fora sequestrada, abandonada e depois estuprada por um terceiro criminoso. “A pouca idade dela e o despreparo são algumas das causas para que ela agisse dessa forma, mas sua atitude não a exime de pagar pelos crimes cometidos”, relatou o delegado seccional Marcelo Carriel. 

Kayth Monique Pereira de Souza responderá em liberdade à falsa comunicação de crime, por se tratar de um crime de pequeno porte. Se for comprovado que houve pagamento pela criança, ela também responderá pelo artigo 238 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), por promessa de entrega de menor mediante recompensa. A polícia aguarda o resultado do laudo médico que comprovará se ela foi realmente estuprada. Já o casal não ficou detido, pois não foi comprovada a participação no crime; eles queriam somente adotar a criança. 

A polícia também investigará se mais alguém da família da jovem sabia de sua simulação. Os delegados acreditam que os avós não sabiam de nada, pois eles mesmos providenciaram a divulgação de cerca de 10 mil panfletos pela cidade com a foto do menino, para quem tivesse alguma informação sobre seu paradeiro. A notícia foi parar também nas redes sociais, onde a imagem de Ícaro foi compartilhada várias vezes por dezenas de pessoas. Por enquanto, o bebê permanece aos cuidados do Conselho Tutelar, que encaminhará o caso à Justiça para decidir a guarda da criança.

Fonte: http://www.diariodesorocaba.com.br/