domingo, 3 de agosto de 2014

Crônica de diversão VI.

Desde ontem arrumo minha bagunça. É papel de todo tamanho, cor e espessura espalhados pelo chão do quarto. Àqueles que reclamam  da bagunça argumento que é organizada já que entendo ela todinha. Para minha surpresa encontrei anotações que já nem sabia mais que tinha. Histórias as quais escutei no início da profissão e que demorava a acreditar que tivessem acontecido de tão bizarras que me pareciam ser. Me divertia escutá-las. O material organizo em crônicas que embalo com carinho na intenção de quem sabe um dia publicá-las para a alegria de quem vai poder se divertir com as histórias que jurarão serem piadas quando na verdade se constituíram na mais pura realidade de um tempo que já não volta. Graças a Deus! Mas, vamos a essa aqui que encontrei num pequeno pedaço de papel de cor amarelada e de beiradas rasgadas mas que agora me serve. Contou-me uma língua que hoje circula na cidade de Bacabal, que em tempos muito, muito distantes, cerca de 200 anos, os policiais "podiam" cobrar as certidões de boa conduta. O que despertavam em alguns o desejo de permanecer nas horas mais improváveis na delegacia. Pois bem, incomodados com a esperteza do elemento que fazia questão de chegar sempre mais cedo, naqueles horários certinhos de quem marcou compromisso, eis que os demais colegas se organizaram para sacanear o espertalhão decidindo por colocar na entrada da delegacia, depois que ele adentrasse o recinto, o seguinte aviso: "Faça atestado com .... e ganhe um copo de refrigerante!" Claro que depois dessa iniciativa o espertalhão deixou de ser o único a ser procurado na delegacia para emissão de certidões passando assim a estranhar a ausência de pessoas a sua procura, tendo inclusive várias vezes perguntado:
- Ninguém procurou por mim hoje?!
- Não! respondiam os colegas que se divertiam com a situação.
Entretanto, antes mesmo que ele descobrisse o que estava acontecendo quem descobriu foi o delegado que não gostou nem um pingo da história. Resultado?! Não ficou um ...Só a história de um passado muito, muito distante!

Márcia GARDÊNIA