terça-feira, 24 de junho de 2014

Sistema de treinamento da Polícia Civil de Santa Catarina, que custa R$ 1,4 milhão, é primeiro a ser utilizado no País

Caminhão da Secretaria de Segurança Pública foi desenvolvido ao custo de 1,2 milhão e vai percorrer todo estado.

Um sistema de treinamento de tiro em que os policiais interagem com personagens fictícios, em cenas simuladas gravadas em vídeo, com direito a disparos virtuais ou reais, utilização de armamento não letal – como spray de pimenta -, verbalizações e ações que podem, posteriormente, ser avaliadas de forma objetiva e minuciosa. O que parece, à primeira vista, um game ou um trecho típico de filmes de ficção, passa a fazer parte, a partir da próxima segunda-feira, da rotina da polícia goiana, que acaba de ganhar, por meio de recursos da União, um Estande de Tiro Virtual.

De acordo com a delegada Lilian de Fátima Rosa Sena Lima, gerente de Ensino da Polícia Civil, trata-se do primeiro sistema de treinamento e aperfeiçoamento de técnicas de tiros reais ou virtuais do Brasil. Instalado na sede provisória da Academia da Polícia Civil de Goiás, no Setor Oeste, o estande – marca Special Shooting Training (SST), modelo T2, produzido na Alemanha – é o único do País que proporciona, no tiro virtual, o recuo da arma idêntico ao do tiro real, sem a utilização de mídias gasosas – ar comprimido ou dióxido de carbono (CO2), possibilitando liberdade de ação aos treinandos.

“É o primeiro Estande de Tiro Virtual nas Academias de Polícia do Brasil. Hoje, apenas as polícias da União Européia, Reino Unido e Estados Unidos utilizam esse recurso”, destaca a gerente de Ensino da Polícia Civil, lembrando que são várias as aplicações do estande, desde o simples atendimento ao público até o gerenciamento de crise. “A consequência prática desse sistema é a diminuição de custos operacionais e financeiros com a aquisição de insumos para o tiro real; a redução de riscos de incidentes e acidentes de tiro a zero; e infinitas possibilidades de simulação de situações com as quais os policiais podem se deparar.”
ECONOMIA
Segundo Lilian de Fátima, hoje, apenas na Polícia Civil, a economia com munições, com o SST-T2, representará algo em torno de R$ 600 mil anuais. O cálculo se dá sobre o custo de cada munição treina: 3 reais. “Fecharemos o ano com cerca de 200 mil tiros disparados, com munições reais, em treinamento. Se, à conta, for adicionado, o treinamento da Polícia Militar (PM), a redução de gastos com munição será ainda maior”, sublinha.

Conforme a gerente de Ensino da Polícia Civil, a ideia, com a aquisição do Estande de Tiro, é fortalecer a parceria e a integração entre as instituições de Segurança Pública em Goiás, como a Guarda Municipal, a Receita Federal, o Ministério Público e Poder Judiciário, as Polícias Federal e Rodoviária Federal, a PM e o Corpo de Bombeiros, entre outras. “O sistema de treinamento estará à disposição de todos esses órgãos, por meio de agendamento. Com essa parceria e integração, com certeza, os grandes beneficiados serão os cidadãos, a população goiana”, diz Lilian.

O SST-T2 é uma reivindicação de uma equipe de policiais civis de Goiás, liderada pelos delegados João Carlos Gorski e Daniel Adorni, que, em visita à Alemanha, conheceram equipamentos e verificaram sua eficácia e eficiência. O projeto – com valor estimado em U$ 700 mil (ou R$ 1,4 milhão) – foi desenvolvido em 2010 e apresentado à Secretaria Nacional da Segurança Pública (Senasp).
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O agente da Polícia Civil Leandro Luz, um dos instrutores capacitados para o trabalho com o Estande de Tiros, ressalta que, além desses vídeos adquiridos, outros, adequados à realidade brasileira e do Estado, já estão sendo produzidos para o treinamento dos policiais goianos. “As legislações dos países são diferentes umas das outras e também são diferentes os contextos enfrentados pelas polícias. Uma outra vantagem do sistema é exatamente essa possibilidade de adaptação, de utilizar a criatividade e a imaginação na criação dos vídeos, buscando a maior proximidade possível de situações reais com as quais o profissional de segurança pública possa se deparar”, argumenta Luz.

Fonte: http://sindepol.com.br/