terça-feira, 17 de junho de 2014

Polícia Militar proíbe soldados de falar acerca da corporação

O ofício é assinado pelo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Francisco Souto. Segundo ele, a PM tem “ovelhas negras” que falam além do necessário

Documento que está circulando em redes sociais revela determinação da Polícia Militar de que PMs estão proibidos de dar entrevista sobre assuntos da corporação. O aviso também esclarece que essas atribuições ficam a cargo do serviço do setor de comunicação da PM.

O ofício é assinado pelo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Francisco Souto. Segundo ele, a polícia tem algumas “ovelhas negras” que costumam falar além do necessário, e que se reportar à imprensa em nome da corporação não é da competência dos policiais.

Imagem por um policial militar que não quis se identificar. (FOTO: Whatsapp/ Tribuna do Ceará)

O comandante do 5ª Batalhão da PM, Tenente-Coronel Francisco Souto, reafirma a determinação. “Para assuntos corriqueiros como prisões e operações, a entrevista é permitida. Inclusive, eu mesmo participo das reportagens. Agora, em relação a assuntos institucionais, como segurança pública, que só interessa ao governo do estado, e que não são de competência dos policiais, aí sim eles são desautorizados. Para isso, existe o setor de comunicação da PM.”

O Tribuna do Ceará apurou que a proibição se deu após conflitos entre policiais e jornalistas. Os policiais combinaram entre si que não dariam entrevista para nenhum meio de comunicação porque a imprensa divulgou uma informação privilegiada e, segundo eles, a oficialização feita pelo 5º comando apenas justificou o fato.

Segundo o assessor de comunicação da Polícia Militar no Ceará, Coronel Fernando Albano, existe uma diretriz dentro da PM que estabelece níveis comunicacionais de acordo com a responsabilidade da informação. Em casos operacionais, quando o policial está na rua, é autorizada a entrevista. Mas, se tratando de questões de natureza institucional, não é permitido. “Isso não é um cerceamento, e sim uma organização comunicacional”, destaca.

O assessor também explicou que não houve um motivo especial para que essa determinação fosse fixada no 5º BPM, e que constantemente a Polícia Militar reedita algumas normas de comunicação e abordagem. “O que acontece é que muitas vezes o policial esquece”, reforça.

O ex-policial militar Darlan Abrantes, autor de livro que critica o militarismo, acredita que devido à proximidade da Copa do Mundo, a pressão da PM nos policiais tende a aumentar. Segundo ele, isso é comum quando há proximidade com datas onde a presença dos policiais é de extrema importância – como exemplo, Natal, Réveillon, e desta vez, o Mundial.

“As escalas ficam mais próximas, quem estava de férias tem que voltar, quem iria tirar férias não vai poder mais. Até quem doa sangue é punido, devido o dia de folga que tem direito. Tudo isso para ‘aumentar’ o efetivo”, opina.

Fonte: http://tribunadoceara.uol.com.br/ NOTICIA VEICULADA EM ABRIL DE 2014