segunda-feira, 16 de junho de 2014

Polícia do Ceará é acusada de escalar grávidas para trabalhar na Copa


Policiais militares do estado do Ceará denunciaram à Associação dos Profissionais da Segurança - APS - péssimas condições de trabalho durante os dias de jogos...

Policiais militares do estado do Ceará denunciaram à Associação dos Profissionais da Segurança - APS - péssimas condições de trabalho durante os dias de jogos da Copa do Mundo em Fortaleza. A seleção brasileira está na cidade para enfrentar o México pela segunda rodada do Mundial, terça-feira, no Estádio Castelão.

Além de reclamarem de cargas de 12h sem pagamento adicional, de má alimentação e da presença de soldados com licença médica em serviço, os policiais alegam que soldadas grávidas foram obrigadas a se apresentar nos quartéis.

As forças de segurança locais já foram bastante requisitadas em 2013, durante as manifestações que marcaram a Copa das Confederações em todo país e já entraram em conflito com protestantes neste ano, na inauguração da Fan Fest da Fifa, na Praia de Iracema. 

"Estão dando um lanche e um refrigerante como refeição. Teve três ou quatro policiais com problemas saúde, que têm hérnia nas costas, não podem ficar de pé e foram escalados para trabalhar durante a Copa. Foram escalados, inclusive, PM's grávidas", disse ao ESPN.com.br o vereador Capitão Wagner, do PR.

Advogados da APS visitaram o Quartel do Comando Geral da Polícia Militar no último sábado, quando Uruguai e Costa Rica jogaram a primeira partida da Copa em Fortaleza, e após a vistoria, os indivíduos fisicamente incapacitados foram dispensados.

Segundo publicações nos Boletins do Comando Geral da PM, contudo, estes mesmos soldados devem se apresentar novamente nesta terça, dia de Brasil x México e nas outras quatro datas em que haverá jogo do Mundial na Capital Cearense - 21/06, 24/06, 29/06 e 04/07.

A reportagem do ESPN.com.br entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública Estadual, que afirmou que somente ficaram de prontidão os policiais que estavam de licença médica para serviços leves, e que nenhum destes, do citado segmento, foi ou será empregado em serviço operacional, mas sim no apoio administrativo. Quanto à alimentação, alegou-se um problema com a empresa contratada. Não existe previsão legal de pagamento de hora extra para policial militar no estado.

O Ceará sofre com problema de baixo contingente nos quartéis. A ONU recomenda a presença de um policial para cada 250 habitantes. A população do estado é de 8.778.576, e o número de soldados, conforme a Secretaria da Segurança Pública, é de 10.026, um para cada 875 habitantes.

A PM local entrou em greve recentemente, no final de 2011 e aderiu às manifestações organizadas no ano passado em Fortaleza, durante a disputa da Copa das Confederações.

Fonte: http://esportes.br.msn.com/