segunda-feira, 16 de junho de 2014

LOANE MARANHÃO, assassinada há trinta e dois dias dentro da Delegacia da Mulher de Caxias.

Aos quinze dias do mês do mês de maio, por volta das 13:00 horas recebi a notícia da morte de LOANE. No primeiro momento imaginei tratar-se de um enorme engano, pois de forma alguma conseguia imaginar tamanha tragédia. Antes mesmo de desligar o telefone fui tomada por uma imensa sensação de angústia que me reportou ao sentimento de desespero sentido na morte do colega JOÃO ELVIDIO, assassinado em uma “mega” operação de combate ao tráfico de drogas no dia 15 de agosto de 2013, na cidade de Vitorino Freire. Ou dia triste! Cheguei a pensar que não seria mais capaz de sentir dor maior em relação a morte de um colega. Ledo engano! Não nasci preparada e nem quero me preparar para tamanha indiferença .... Tratar com graça, piada, e sem o devido valor fatos como esses é de uma indignidade abominável. Atitude por demais desrespeitosa de quem, de certo, não merece ser tratado como gente. Normal é a morte, não a indiferença às circunstâncias em que como ela se deu. Para mim nada disso é normal, talvez por isso não tenha me surpreendido no velório de LOANE a atitude de sua avó ao expressar desejo de retirar a bandeira de cima do seu caixão. Essa vontade outros tiveram. Olhei, calei .... Mas, como jurei - na verdade vivo jurando - não vomitar mais, me restringi a verificar o comportamento da categoria diante de tal episódio.  E mais uma vez comprovei fraqueza, egoísmo proponderante, desculpas esfarrapadas para deixar tudo como está, o que me leva a pensar que tudo só pode está mesmo muito bem. Mas, sobre isto, continuo refletindo. Perdemos uma colega de trabalho num cenário de tragédia e nada, nada, nada, nada, aconteceu para ressaltar a gravidade do fato. Prevaleceu a normalidade, e umas considerações infelizes, também mentirosas no intuito de atribuir à colega assassinada a responsabilidade pelo acontecido. Mais fácil ainda seria atribuir essa culpa se a vítima tivesse sido eu, afinal já fui apontada mentirosamente como funcionária relapsa no trabalho, sem zelo! Mas, graças a Deus estou vivinha da silva para tristemente ver que hoje, trinta e dois dias depois do assassinato de LOANE MARANHÃO, continua imperando o silêncio. Ótimo! Muito bem! Continuemos assim! De preferência olhando fixamente para o próprio umbigo ...    


Márcia GARDÊNIA