quinta-feira, 26 de junho de 2014

A SOLUÇÃO QUE NÃO RESOLVE: Transferência de menores infratores do CEM para o QUARTEL

Centro Educacional Masculino de Teresina (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
Herbert Neves - diretor do CEM
TERESINA (PI) - Por recomendação da 2ª Vara da Infância e da Juventude os menores infratores que estão internos no Centro Educacional Masculino (CEM) serão transferidos para o Quartel. Isso mesmo! E a justificativa para a medida é a falta de estrutura do prédio que abriga os menores, também a falta de policiais e educadores para monitorá-los. Em menos de um mês foram quatro fugas, num total de 24 menores. 

Para o problema a solução encontrada é um desses arremedos que a administração pública encontra para fazer parecer que está resolvendo o problema e para isto a Sasc tem intenção de junto à Secretaria Estadual de Administração de fechar um convênio com a Polícia Militar. E pasmem, a solução será comprar a folga dos policiais para reforçar o policiamento nas casas socioeducativas. Pelo menos foi essa a explicação dada pelo secretário da Sasc, George Mendes.

Hoje, estão 45 menores apreendidos no CEM, sob supervisão de 6 PMs e 9 educadores. Os servidores, mesmo considerando todos os problemas não são favoráveis a essa transferência. Nem deveriam ser!

Para o educador Herbert Neves a medida a ser tomada é estruturar o CEM, não transferir os menores para o quartel. 

Fonte da notícia  Aqui

É, o que dizer?!
A situação de fuga dos menores do Centro, assim como a deficiência na falta de segurança e a disponibilidade de recursos para desenvolver a politica de reintegração desses menores é o problema de sempre. Nenhuma novidade, nem mesmo as medidas paliativas sempre tomadas ganham ação nova. Quase sempre as mesmas! Até aqui, sem novidades!  Conheci o espaço e por umas duas vezes estive por lá; uma das vezes entrevistando o educador Herbert Neves. Um verdadeiro quadro de horror, essa foi a impressão que me causou e olha que já faz um bom tempo que estive no local escutando com preocupação todas as ponderações do educador Herbert Neves (Que drama, amigo!), acerca desse problema que mais que criminal é social. fiquei entusiasmada com o entusiamo do educador, na sua crença nos resultados positivos do trabalho que se propõe a desenvolver. Mas como fazer o espaço funcionar na sua melhor maneira se existe como um depósito de lixo, sem a mínima estrutura física de promoção de acolhimento e com ausência de todo tipo de recurso material e humano. Se faltam policiais para fazer a segurança do local, imagina então o que não devem passar os monitores que lá trabalham. Mas, não só foi isso que percebi, pois além de conversar com os monitores também conversei com os menores, conhecendo deles seus históricos de vida, e o que percebi foi uma violência institucional grande, também uma tolerância do tamanho do mundo com os crimes desses menores, aliás não posso falar crime, é ato infracional análogo ao crime de ... quanta hipocrisia! Isso não resolve nada. Nem a vida desses menores ignorados pelo poder público, nem da sociedade. E assim tudo segue na trilha de um circulo vicioso que não muda... um verdadeiro circo de horrores que só conhece realmente quem dele participa. O que é uma pena, porque esse é um preço que todos nós pagamos. Aos monitores do CEM, até sei o que dizer: Que Deus os proteja meus colegas, porque o trabalho é na força e na raça. Eu fico tão indignada com tudo isso ...