sábado, 31 de maio de 2014

Entidade acusa PM de racismo após lançar cartazes em ônibus de Ribeirão


Cartazes de uma campanha da Polícia Militar fixados nos ônibus do transporte público de Ribeirão Preto (SP) foram alvo de crítica de representantes da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) no município. Segundo a entidade, o material, que traz dicas de segurança para a prevenção de roubos, incita o racismo.


A figura mostra uma mulher branca com um telefone celular mão e outro personagem, escondido atrás de um poste, observando-a. A ilustração do suposto criminoso é preenchida com a cor preta, deixando somente os olhos e a boca do personagem em branco. No pé do cartaz, mais uma mulher branca, caracterizada como policial militar, atende os telefones de emergência da PM.

A Polícia Militar informou que a percepção foi "equivocada e exagerada", uma vez que o personagem alvo das críticas foi representado pela caracterização de uma "silhueta". A Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp), parceira na campanha, afirma que não foi responsável pela elaboração do material e que abomina condutas racistas.

Conen

De acordo com Sílvia Seixas, coordenadora estadual da Conen em Ribeirão Preto, o caso é interpretado pela entidade como racismo institucional. "Não queremos saber quem desenhou ou colou os cartazes. Precisamos que a PM assuma que há um racismo institucional. Se a PM nega que o cartaz é racista, ela nega a existência do racismo institucional e não contribui para qualquer solução", diz.

Nesta sexta-feira (30), a coordenadora se reuniu com representantes da executiva nacional do Conen em São Paulo (SP), e afirmou que a entidade estuda entrar com uma ação no Ministério Público Estadual ou Federal para pedir esclarecimentos sobre o caso. "Vamos entrar com uma representação pedindo a imediata retirada dos cartazes e a responsabilização da PM do Estado de São Paulo. Para nós, racista é a instituição", diz.Sílvia também discorda da justificativa dada pela corporação de que a figura ilustrada em preto se trata de uma silhueta. "Se você prestar atenção nas características físicas, inclusive o cabelo do personagem, vê-se que é um cartaz extremamente racista. Estamos falando de senso comum. De uma questão sociológica, e não semiótica. Quando um menino olha e se enxerga com aquela figura preta que está lá, ele não pensa que aquilo é uma silhueta. Ele pensa no cotidiano", explica.

Polícia Militar e Acirp

Em nota, a PM informou que lamenta a percepção da entidade, classificando-a "equivocada e exagerada". De acordo com a corporação, na arte do material impresso o "criminoso" foi representado "pela caracterização de uma 'silhueta', por estar na penumbra, observando a sua vítima à espreita atrás de um poste, usando, para tanto, da sombra existente no local."

Já a Acirp informou que, apesar de parceira da PM na campanha, não foi responsável pela elaboração do material. A associação disse ainda que considera que o racismo, além de crime, "é conduta abominada pela Acirp e não condiz com o perfil democrático e de livre iniciativa sempre defendido pela entidade.".

Fonte: http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca