domingo, 26 de janeiro de 2014

Vítima tinha vida estudada através das redes sociais

Suspeito de extorsão obrigava vítima a colocar dinheiro em túmulo no DF
Um técnico em enfermagem de 29 anos foi preso na manhã deste sábado (25) em um cemitério em Taguatinga, no Distrito Federal, no momento em que buscava R$ 4,5 mil deixados em um túmulo por uma vítima que ele supostamente extorquiu.
Segundo o delegado da 11ª DP do Núcleo Bandeirante, Victor Dan, o suspeito investigou a vida da vítima através das redes sociais e de amigos dele, e depois passou a ameaçá-lo.
"Ele conhecia pessoas próximas à vitima, colhia informações de pessoas que jamais imaginavam que estavam passando informações para um criminoso", disse o delegado.
"Ele também descobria o perfil dela nas redes sociais e passava a estudá-la. A partir daí, ele passou a ligar para a vítima durante 15 dias, exigindo R$ 6 mil para ficar em silêncio e não revelar o segredo da vítima", completou.
De acordo com o delegado, a escolha do cemitério como local para entrega do dinheiro foi feita para "embaraçar" e "aterrorizar" a vítima.
"O que chamou a atenção é que, para aterrorizar ainda mais a vida da vítima, ele exigiu que o dinheiro fosse depositado em cima do túmulo, em um cemitério em Taguatinga", disse Dan.
Na sexta-feira (24), a vítima depositou o dinheiro dentro do túmulo indicado pelo suspeito. A Polícia Civil já investigava o caso havia sete dias e policiais se revezaram fazendo campana no cemitério e aguardando a chegada do suspeito.

"Hoje, por volta das 10h, ele foi pegar o dinheiro. Os agentes da 11ª DP estavam no local e ele foi preso em flagrante", disse Dan. "O suspeito ainda tentou resistir à prisão."
A pena para o crime de extorsão é de 4 a 10 anos. O suspeito será encaminhado para o Departamento de Polícia Especializada (DPE) e em seguida para o presídio da Papuda. Segundo o delegado, o técnico em enfermagem já tem passagem na polícia pelo crime de ameaça.
"O crime de extrosão é tão grave quando um roubo à mão armada", disse o delegado. "A pena é a mesma porque causa prejuízo não só econômico, mas psíquico na pessoa, que acaba fazendo o que ele exige. São poucas as pessoas que têm coragem de procurar a polícia."
"O fato de ser um cemitério ainda aumenta a pena porque tem um artigo no Código Penal que diz que a circunstância do crime, quando grave, pode aumentar a pena", disse Dan. "Isso é circunstância grave. Isso é prejuízo psíquico, fazer a vítima ter que ir no cemitério, para botar a chave no túmulo e botar o dinheiro."
O delegado alerta para a importância de não se expôr nas redes sociais.
"Ele estudou tanto a vítima que conseguiu convencê-la", disse. "É muito comum esse tipo de crime usando as redes sociais. Tem que ter cuidado porque muitas vezes a pessoa se torna vulnerável. A gente tem que usar o máximo os recursos de privacidade, de segurança, para evitar casos semelhantes a esse."
Fonte: http://g1.globo.com/distrito-federal/