sábado, 28 de dezembro de 2013

Aumenta o número de suicídios na Polícia Civil de PE


" Fechamos o ano com um saldo alarmante dentro da nossa Instituição. O número de suicídios registrados em 2013 nunca foi tão alto na história da Polícia Civil. Foram quatro perdas apenas este ano. Um médico legista, um escrivão e dois agentes. A última dia 24 de dezembro. O suicídio do Agente de Polícia Augusto Cezar Marques. O Sinpol/PE observa que, apesar de não existir uma causa determinante para a ocorrência desses casos, um conjunto de fatores vêm corroborando para fins trágicos como este.

O Sindicato alerta que, entre tantos outros fatores, a relação interpessoal entre as equipes no local de trabalho vem se modificando. Perdemos, ao longo do tempo, o tratamento respeitoso entre nossos pares, passamos a dar lugar a indiferença ao invés do companheirismo. Observamos que, numa mesma unidade policial não há um congraçamento, chegando ao ponto de sequer saberem um o nome do outro, embora estejam ali dividindo a maior parte do tempo de suas vidas, em um mesmo ambiente de trabalho. Além disso, assistimos formas de tratamento desrespeitosas uns com os outros.
A política desenvolvida pelo Estado na área de Segurança também tem contribuído muito com esta situação de cobrança e danos à categoria. Quantos já não foram vítimas de transferências absurdas? Sem sequer receber dos superiores um aviso ou questionamento sobre o local a ser transferido ou permutado? Quantas vezes só se toma conhecimento de que foi retirada a chefia no momento de receber o contracheque do mês seguinte? Essa política é muito questionada pelo Sinpol/PE, que critica essa forma meritocrática, em que o Governo troca produtividade por gratificação, e deixa de investir nos salários.

Essa busca exacerbada por resultados está prejudicando todos os policiais civis. As cobranças têm aumentado consideravelmente, e toda a categoria vive hoje sob clima de fiscalização para cumprimento de metas absurdas. E ainda assistimos, ordinariamente, à Corregedoria extrapolar suas funções quando, para também atingimento de suas metas, cobra do policial, por escrito, sua ausência para realizar suas refeições, por exemplo. 

Ou seja, o efeito de todos esses fatores descamba no setor de Recursos Humanos da Instituição. Aqueles que conseguem ser encaminhados vêm a sua frente uma oportunidade de livrar-se dessa estatística que vem aumentando em nosso quadro de pessoal.O Sinpol se reuniu com a Chefia de Polícia logo após o suicídio do policial Washington e, na ocasião, pediu para que a Instituição tomasse as devidas providências para evitar fatos como esse. Cobramos também da Chefia de Polícia que fosse desenvolvida uma campanha de combate as drogas lícitas e ilícitas dentro da Instituição. Nada até hoje foi feito.

É necessário que a Chefia de Polícia cobre de seus comandados, dos titulares das unidades de Polícia, a devida observação quanto às mudanças de comportamento de seus policiais. Além disso, cobramos que a Chefia de Polícia mantenha contato com esses mesmos gestores para que mudem também sua postura, uma vez que o ASSÉDIO MORAL está ocorrendo em larga escala dentro da Instituição. Se providências como estas acima forem tomadas, podem até não evitar que outros casos de suicídio aconteçam, mas aliviariam muito essa tensão hoje sentida por todos os policiais civis de Pernambuco" 

Fonte: http://www.sinpol-pe.com.br