sábado, 2 de novembro de 2013

Transporte de preso quase termina em tragédia em Teresina

Por Wagner Leite

Quando agente pensa que já viu tudo, de repente, somos surpreendidos por um ato de burrice, negligência ou mesmo de maldade de um colega policial. O risco que corri juntamente com o policial Raimundo Carvalho ao transportar um preso hoje, dia 29/10/2013, para a Central de Flagrantes poderia ter terminado em tragédia com dois policiais e um preso mortos. Como é do conhecimento de toda a sociedade piauiense o transporte de presos continua sendo feito em viaturas inadequadas, sem celas e com número precário de policiais, e hoje o fato mais uma vez se repetiu. Desta feita transportávamos um preso de alta periculosidade de nome João Winslan que foi capturado em uma troca de tiros com a RONE tendo o meliante levado dois tiros, um que atingiu o capacete, mas não acertou a cabeça, e outro que atingiu o abdômen e que por esse tiro foi submetido à intervenção cirúrgica e passa bem. Como de costume, não confio em preso, e por isso tratei de algemá-lo com as mãos para trás e assim colocamos na viatura e iniciamos a diligência com dois policiais, mas ao percorrer menos de 1 km percebemos que havia algo no piso da viatura na parte detrás e não era nada menos que um facão e um saco com uma corda deixados pelo policial FELICIANO que poderia muito bem ter sido utilizado pelo preso se estivesse algemado com as mãos pra frente para ceifar a minha vida e a do colega e que certamente me obrigaria a matar o preso se ele não lograsse êxito em me matar na primeira investida. A tragédia que aconteceu com o policial de Pernambuco que transportava um preso com as mãos pra frente por um percurso de mais de 1.000km, de Chapadinha-MA para Recife-PE, levado a óbito pelas mãos do preso Wagner da Hilux, poderia ter acontecido comigo nesta terça-feira, dia 29/10/2013, se eu confiasse em preso e por erro ou dolo de um colega. É claro que comuniquei o fato ao titular e entreguei a ele o maldito facão com a corda que nos poderiam ter vitimados. É claro que comuniquei a todos os colegas para que fiquem atentos, principalmente, com esse tipo de policial que age de forma que não sabemos dizer se foi mera negligência ou mesmo um ato doloso.  Assim continua a nossa polícia trabalhando em condições precárias e com colegas despreparados para a atividade policial de alto risco. Assim continua a polícia: sem viaturas adequadas, sem número adequado de policiais, sem infra-estrutura adequada, sem salários justos e com uma casta de arrumadinhos bem pagos que pouco se preocupa com a qualidade do serviço prestado e com as nossas instalações, salvo algumas exceções.