quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Os covardes também têm coragem e a demonstram quando se afastam dos amigos em situação de perigo

Por Wagner Leite

Os covardes também têm coragem e a demonstram quando se afastam dos amigos em situação de perigo. O ser humano realmente é decepcionante e quanto mais eu conheço os homens mais admiro os cachorros, até mesmo os vira-latas que nos são fieis ainda que não bem tratados. Um dia desses ouvi de uma senhora que registrava um boletim de ocorrência interagir com um colega que contava uma história ao lado e disse a senhora “preso e doente não têm amigos”. Ora, eu nunca tinha ouvido tal ditado, mas rapidamente comecei a refletir sobre o ditado que a senhora disse que costumava ouvir de sua avó. Por algum momento fiquei pensando e conclui que na verdade é qualquer pessoa em situação de perigo que não tem amigo. Aliás, até Pedro com toda sua valentia negou a Cristo por três vezes quando apontado como amigo de Jesus. Então, por que um polícia não se afastaria de um amigo em situação de perigo, em situação de perseguido pela coragem de bradar a verdade? Vê-se, portando, a grande dificuldade de liderar pessoas em uma luta por dias melhores para todos e não apenas para alguns. Assim, enquanto um luta por todos; 50 ou 100 se afastam do combatente para que não sejam tidos como amigos do polêmico e a mão forte do patrão não caia sobre si também; outros preferem ser pelegos, o lado do governo corrupto em troca de uma gratificação que não levará para sua aposentadoria. Há aqueles que trocam uma causa justa por um benefício pessoal ou simplesmente a falsa amizade de um superior. O que Gandhi fez na Índia juntando várias pessoas sem armas para enfrentar o opressor inglês seria, com certeza, impossível hoje no Brasil, tamanha a covardia de alguns companheiros que só se beneficiam da luta dos outros. A covardia de alguns colegas aliada a ignorâncias dos direitos constitucionais dos cidadãos têm permitido uma classe que é minoria oprimir uma classe que é maioria. Essa covardia e ignorância têm permitido o distanciamento dos salários de delegados dos demais membros da polícia civil. Essa covardia e ignorância dos colegas têm permitido o assédio no ambiente de trabalho, principalmente contra aqueles que ousam não fazer o trabalho que é de obrigação de seus chefes. Policiais são transferidos como pena por ousarem falar a verdade. Policiais são martirizados e acabam doentes ou saindo da polícia se quiserem viver dignamente. O resultado de tudo isso: uso de processos como pena, transferências como castigo, processos kafkianos e o caos até que os ousados morram ou saiam da polícia para que outros jovens assumam o carma dos que já se foram.