quarta-feira, 20 de novembro de 2013

ALAGOAS É O ESTADO MAIS VIOLENTO PARA NEGROS NO BRASIL

Em 2010, 65 homicídios a cada 100 mil habitantes foram registrados. Secretário de Segurança diz que números de 2013 apontam redução.
 
O Espírito Santo é o segundo estado brasileiro mais violento para os negros, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (19) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
 
De acordo com levantamentos realizados pelo órgão, o Estado registra uma média de 65 homicídios de negros a cada 100 mil habitantes, o que significa a redução de 5,2 anos na expectativa de vida dos negros, se comparados à expectativa média população brasileira, que é de 73,5 anos.
 
O membro do Forúm de Juventude Negra do Espírito Santo, Lula Rocha, criticou a falta de políticas públicas para os negros capixabas. Mas, segundo o secretário de Segurança Pública do estado, André Garcia, este é o quarto ano consecutivo com diminuição dos indicadores de homicídio.
 
Alagoas lidera o ranking de violência racial. Lá, a taxa de homicídio para população negra atingiu, em 2010, 80 a cada 100 mil indivíduos. O Espírito Santo é o segundo destaque negativo, com 65 homicídios de negros para cada 100 mil habitantes. No Brasil, a taxa é de 36 para cada 100 mil. Para não negros, ela é de 15,2. Ou seja, para cada homicídio de não negro no país, 2,4 negros são assassinados.
 
Para Lula Rocha, membro do Forúm de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), faltam políticas de promoção da igualdade social no estado. "Esse é um dado que nós, enquanto membros da juventude negra do Espírito Santo, já denunciamos há algum tempo. Esses números vieram para comprovar o que já falávamos. O extermínio da população negra é uma das consequências mais cruéis do racismo e, por isso, nós avaliamos que essa violência seja fruto de um processo histórico. Lá atrás, não houve medidas para enfrentar esse racismo e, até hoje, o que se faz é tentar minimizar as consequências, mas sem discutir com profundidade o que precisa ser feito", completou.
 
Mas, segundo o secretário de Segurança Pública, André Garcia, dados coletados no estado comprovam uma diminuição geral nos homícidios. "Os dados da pesquisa são de 2010. Mas, na realidade, 2013 é o quarto ano consecutivo em que registramos redução nos indicadores de homicídio no Espírito Santo. Em 2009, encerramos o ano com uma média de 58 homicídios para cada 100 mil habitantes. Em 2013, vamos encerrar com 40 para cada 100 mil", disse.
 
Ainda de acordo com o secretário, as medidas adotadas pelo Governo não podem ser específicas para um determinado grupo, como o negros. "Todas as medidas são voltadas para todos os cidadãos. Nós atuamos em áreas específicas e, indiretamente, atendemos a esses grupos mais vulneráveis", explicou.

Expectativa de vida
O Ipea também fez um cálculo de perda de expectativa ao nascer para negros em razão da violência. A estimativa leva em conta dois cálculos, que indicam a probabilidade de um indivíduo com determinada idade e outras características (cor da pele, gênero e município de residência) viver até determinada idade. Neste caso, os homens de cor negra perdem, no geral, 3,5 anos de vida em sua expectativa ao nascer, contra 2,5 anos de um homem de outra etnia.
 
Nessa perspectiva, Alagoas novamente fica em primeiro lugar. No estado, um homem negro tem sua expectativa reduzida em 6,2 anos ao nascer. Em seguida estão Espírito Santo, com 5,2 anos, e Paraíba, com 4,8 anos a menos. Santa Catarina possui o índice mais baixo (2 anos a menos).
 
 
Qual a origem do Dia da Consciência Negra?
 
" Na década de 1970, um grupo de quilombolas no Rio Grande do Sul cunhou o dia 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra: uma data para lembrar e homenagear o líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi, assassinado nesse dia pelas tropas coloniais brasileiras, em 1695. A representação do dia ganhou força a partir de 1978, quando surgiu o Movimento Negro Unificado no País, que transformou a data em nacional. O Quilombo dos Palmares ficava onde hoje se encontra o estado de Alagoas e é considerado o maior quilombo territorial e temporal do Brasil, pois durou cerca de 100 anos. Em seu auge, chegou a abrigar de 25 mil a 30 mil negros. "Funcionava como um Estado dentro de outro Estado. Os negros fugiam do sistema escravista e se refugiavam em uma área de difícil acesso, mas com solo muito rico"
 
População negra confia menos na polícia, diz estudo

 
Um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresenta dados sobre a violência contra negros na sociedade brasileira. Intitulado "Vidas Perdidas e Racismo no Brasil", o estudo traz a relação existente entre a população negra e as forças policiais. De acordo com os indicadores, 61,8 % dos que se autodenominam negros ou pardos e que foram vítimas de agressão disseram que não procuram a polícia. Desse grupo, 60,3% dos entrevistados alegaram não acreditar nas forças policiais e 60,7% disseram ter medo de represálias.
 
Entre os "não negros", o número de pessoas que não procura a polícia é de 38,2%. Nesse universo, 39,7 disseram não acreditar nos policiais e 39,3 % relataram medo de represálias.
O estudo foi baseado no Censo Demográfico de 2010 e em informações do Ministério da Justiça, que traçou o número de detentos negros no sistema prisional brasileiro. Segundo o levantamento, as cadeias brasileiras abrigavam 252.796 negros e 169.975 não negros.
 

Homicídios
Segundo informações do Sistema de informações sobre Mortalidade (SIM/MS) e do Censo Demográfico do IBGE, de 2010, enquanto a taxa de homicídios de negros no Brasil é de 36 mortes por 100 mil negros, a mesma medida para os "não negros” é de 15,2. Essa razão de 2,4 negros para cada indivíduo de outra cor morto é muito mais ampla quando se analisa a vitimização por Unidades Federativas. Em Alagoas, por exemplo, o número de morte de negros é 17,4 vezes maior do que a de não negros.