domingo, 1 de setembro de 2013

SÓ JESUS NESSA CAUSA.

  Deputado denuncia esquema da polícia com a bandidagem em Barra do Corda



A situação de insegurança é tão alarmante em Barra do Corda que foi preciso a realização de audiência pública com a Associação Comercial, prefeitura, juízes e promotores.  A informação foi dada ontem pelo deputado Tatá Milhomem da tribuna da Assembleia Legislativa. Segundo ele, ” a Polícia Militar prende os bandidos e, pasmem, a Polícia Civil solta”. O parlamentar disse que soube da situação e pediu providências ao secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes. “É que existe um grupinho de agentes da Polícia Civil agindo de maneira desonesta no Sistema de Segurança de Barra do Corda. E gosto muito daquela cidade, gosto muito do povo da minha terra e por isso estou encaminhando essa indicação, com um relatório que foi encaminhado não só a mim, foi também aos deputados Antônio Pereira, Rigo Teles e Raimundo Cutrim”, explicou.

Fonte: Blog do Luiz Cardoso.
------------
COMENTANDO A NOTÍCIA

Que a situação da polícia civil do Maranhão é crítica, e muito mais crítica ainda no interior, é fato incontestável. Considero a Instituição a qual pertenço ha quase três décadas como um paciente grave que não consegue sair do hospital, entre idas e vindas da UTI para a enfermaria, não consegue ir embora, há muito se esqueceu das cores da parede da sala de estar da sua casa, vivencia somente o ambiente sombrio de um hospital, e assim, vai tocando a vida, a espera de um novo amanhecer. Tão critica quanto a estrutura da policia civil é a situação limítrofe dos seus trabalhadores policiais, que são diariamente cobrados e execrados pela população que na ânsia de ter o mínimo de correspondência das suas necessidades buscam com avidez e desesperança algo que não creem, e sem, ou com poucas alternativas fazem as ultimas tentativas. E quando nada se tem, recorre-se de onde não vem...
A falência da policia judiciária do Maranhão não é por culpa dos policiais civis, e sim, do Governo do Estado do Maranhão.

Volto a repetir o velho e cansativo mantra, há 11 anos somos o menor efetivo do pais, ao todo somos somente 2120 policiais, de todos os cargos, e não somente investigadores e escrivães, como muitos pensam; em 136 cidades não existem Delegados de carreira, em 110 não existe nenhum policial civil, Peritos Criminais são raros, pois instituto de criminalística funciona apenas em São Luís, Imperatriz e Timon, no restante é tudo empírico, Investigadores e Comissários de Policia fazendo local de morte violenta, isolamento e até acidente de transito, com ou sem vitima fatal, e muitas cidades o corpo da vitima é transportado na própria viatura, muitas vezes, rasgando a própria legislação processual, que exige o exame ad hoc feito por duas pessoas portadoras de nível superior, tem casos, que não é raro, que quem faz o trabalho “pericial” é o terceirizado, e a secretaria de segurança inteira sabe disso, e fingem não saber, aliás, nem fingem e aceitam pela extrema e cruel necessidade.
O policial civil que responde pelo expediente de uma Delegacia interiorana recebe mízeros R$ 112.40 , algo aviltante e que reflete o preço pelo oficio sacrificante que vai muito além de todas as possibilidades, temos casos hoje, de policiais civis que estão respondendo criminalmente e administrativamente por terem recebido pequenas ajudas financeiras das Prefeituras, outros, por terem utilizado o dinheiro de licenças em prol da própria Delegacia, e a Secretaria de Segurança Pública, não tá nem aí!
Muito mais do que conhecimento técnico, é preciso equilíbrio. E ambas, faltou ao Deputado Tatá Milhomem, a velha e sofrível esparrela de que a PM prende e a civil solta, não existe mais a figura do preso correcional, preso só se for em flagrante ou por determinação judicial, o resto é ilegalidade.

Quanto ao grupinho de agentes desonestos agindo na cidade, conforme o que afirma o parlamentar, pela ética e decência deveria nominá-los, seria fácil identificar se assim fosse verdade, pois são tão poucos na Regional, e não colocá-los todos na vala comum da desigualdade e tentar sair “por cima” como se fosse o paladino da verdade e da moral.

Iremos fazer uma representação em desfavor do parlamentar, assim como, encaminhar oficio a Delegada Geral para posicionamento institucional, e mesmo que nada disso surja efeito pratico, tanto faz, farei a minha parte, aliado a isso, irei repercutir na mídia, radio e blogs, talvez seja tudo pouco diante do estrago que noticias assim causam, especialmente em cidades do interior, aonde o trabalhador policial fica mais exposto, e por fim, agradeço a Deus por existirem policiais tão perseverantes, confiantes e resignados como vocês que fazem o Máximo para honrar a policia civil do Maranhão.

Amon Jessen
Presidente do SINPOL-MA

Fonte: http://www.sinpol-ma.com.br/
------------

Hoje é domingo, e em casa para descanso me nego de  viver o sentimento de tristeza e indignação que já toma conta de mim durante toda a semana, mas amanhã, segunda-feira, prometo comentar esse triste episódio. Mais um! Mas, de pronto digo, sou policial civil do Estado do Maranhão e não faço parte de qualquer esquema com bandidagem alguma, pelo contrário faço parte desse contingente de policial que faz da fraqueza à força para fazer esta instituição existir na sua melhor forma... só não sei até quando porque ando bem cansada. Mas, concordo com Amon Jessen. Por que não nominar os policiais envolvidos em esquemas de bandidagem ? Quanto ao fato da policia militar prender e a policia civil soltar, venhamos e convenhamos, existem situações e mais situações e não podemos generalizar, é verdade, como se elas se configurassem a  regra, mas que isso acontece, acontece sim. Quem nunca ouviu dizer que um belo flagrante às vezes vira uma bela portaria. Em letras miúdas isso se traduz sim em a policia militar prender e a policia civil soltar. 

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR!