domingo, 4 de agosto de 2013

SÓ PESADELO! Crônica nada divertida

Tudo não passou de um pesadelo, mas foi assim mesmo que aconteceu. E resolvi contar para não virar realidade. O ocorrido se deu durante o sono de meio dia. Naquela sesta que agente tira depois do almoço quando pode. Foi só um cochilo, mas o suficiente... Despertei nervosa, boca seca, coração palpitante. O súbito medo que por instantes me consumiu, enfim despertou-me. Que foi isso?! Debrucei o corpo novamente, acomodei a cabeça sobre o travesseiro e mais calma tentei lembrar o que de fato tinha minha imaginação de tão ruim produzido. Procurei até os detalhes, mas vocês sabem como são esses pesadelos, às vezes a gente fica só com o desconforto, pois a memória, como forma de defesa, às vezes opta por falhar. Mas insisti na lembrança! Foi então que me veio a mente um esmo local pavoroso e enigmático. Por vezes parecia uma cidade. O nome não sei dizer. Mas tinha apelido: Princesinha do rio. Parecia pequena, ao mesmo tempo povoada e não parecia ter adultos porque só me vêm a cabeça crianças. Umas espertas, outras mais tímidas; umas grandinhas, outras menores. E Todas choravam. Não! Não! Algumas de bonecas nas mãos se esforçavam para sorrir. Do resto não lembro com clareza. Sei que de repente algumas faces desfiguradas surgiam impondo terror. Pareciam monstros, embora alguns se mostrassem familiares às crianças. Em meio a isso tudo um grito. Não, não! Um grito não, vários, e parecia de mulher. Transmitia desespero e ela corria como uma louca. Mas, parecia saber muito bem o que dizia. Falava com convicção. Talvez uma louca em crise de lucidez. Ou quem sabe uma lúcida em crise de loucura?! Lembro bem que a mulher gritava, mas não parecia ser escutada. Talves fosse esse o seu desespero. As crianças nada entendiam. Uma pena! Como não entendiam seguiam em direção aos monstros. Aos gritos a mulher dizia muita coisa. Algumas informações muito claras, outras nem tanto, mas em meio aos insistentes gritos algumas falas dela não esqueci. Dizia ela: “ (1) na Princesinha do rio se estupra, por exemplo e não se para na cadeia. Pelo contrário, estupradores de crianças neste município riem, gozam da cara das autoridades e, pior, da família e da própria vítima (2) fica é fazendo chacota da cara da gente, ficam é fazendo chacota dos delegados, ficam é fazendo chacota dos conselheiros, fica passando na casa da vítima, pra lá e pra cá dizendo – e aí cadê? (3) falta a família da vítima, falta a sociedade, falta os meios de comunicação dá mais em cima, denunciar, falar, dizer a verdade, buscar os fatos, ir na delegacia, cobrar dos delegados” Ainda bem que foi só pesadelo, já pensou se isso tivesse acontecendo de verdade em algum lugar desses que a gente conhece. Ufa!

Márcia Gardênia /Sinpol-Ma/2009.