domingo, 4 de agosto de 2013

SANGUE DE JESUS TEM PODER! !!!

AUSÊNCIA DE ÉTICA PROFISSIONAL E EXCESSO DE SOBERBA NA REGIONAL DE CODÓ

Rômulo Vasconcelos critica ‘comodismo’ dos outros delegados e pede ajuda à sociedade para combater o crime

O delegado da Polícia Civil e chefe da Delegacia Regional, Rômulo Vasconcelos levantou mais uma questão polêmica em entrevista à imprensa, semana passada. Rômulo demonstrou insatisfação com a própria polícia e reconheceu a falência do sistema carcerário em Codó.

Sobre a atuação da polícia no município, o delegado disse lamentar a comodidade de seus colegas de trabalho. Rômulo revelou ao repórter Sena Freitas que não é sua função executar prisões, mas é obrigado a fazer para deixar a “peteca” cair. “Se eu deixar a peteca cair, quem vai é a minha cabeça.

“Não tenho pretensão de sair hoje de Codó… então eu tenho que prender esses vagabundos, porque, se não a ‘peteca’ cai e quem vai rolar a cabeça sou eu. Eu tenho interesse em resolver o problema, apesar de não ser obrigado a ir atrás desses elementos, porque que são responsáveis são outros delegados do Distrito… Eu tenho atitude, eu faço meu papel, e se cada policial fizer o seu papel as coisas vão funcionar de forma mais tranquila“, disse o delegado.

Rômulo disse ainda que uma andorinha só não faz verão e pediu que os demais policiais (delegados) também trabalhem. E enquanto isso não acontece o delegado pediu a contribuição da sociedade. “Tem colega que encosta nos outros. Tem colega que trabalha e tem colega que não trabalha. E se cada um fizer sua parte, a gente vai chegar a um denominador comum. Que é tirar esses elementos de circulação porque só trazem mal para a comunidade”, desabafou Rômulo.
 

Delegado diz que prende os marginais para sua cabeça não ‘rolar’

O delegado também falou de sua insatisfação com as condições de trabalho que lhes são disponibilizadas e a facilidade com que a Lei devolve para as ruas os criminosos que são presos pela polícia. “É um ciclo. O sistema é assim, a gente prende a Lei solta… Nosso trabalho é esse, a gente tá nessa posição no sistema. O Sistema prisional hoje está falido em Codó, ninguém fala nada, ninguém diz nada, quem está pagando caro com isso é a sociedade… porque nós não temos espaço para prender esses marginais, então quem vai sobrar é a sociedade“, disse o delegado.

Rômulo reclamou da falta de espaço para colocar os presos e disse ainda que tem pessoas presas na nova delegacia, porque não local para colocar os presos e questionou as reclamações da população de que a polícia não quer prender os marginais que estão aterrorizando a cidade e a violência cresce cada vez mais. “Não tem onde colocar preso. A gente está com 11 presos aqui nas celas porque o presídio tá lotado“, finalizou o delegado.

Fonte: correiocodoense.com.br

 Data: 31.07.13 

Declarações do delegado Rômulo foram vistas com repúdio pela delegada Tecla

As declarações polêmicas do delegado Regional Rômulo Vasconcelos, publicadas pelo Correio Codoense, foram recebidas com bastante repúdio por parte dos delegados ofendidos. Em resposta ao delegado, por meio do Blog, a delegada Maria Tecla disse que viu o posicionamento do colega de trabalho com desrespeito, falta de ética e anti profissionalismo.

O clima foi tenso durante todo o dia desta segunda-feira dentro da delegacia. Os comentários pelos corredores foram inevitáveis. Cópias da publicação foram espalhadas pelos corredores e todos disseram desaprovar a atitude do delegado sobre suas afirmações em relação ao comportamento profissional dos delegados Zilmar Santana e Maria Tecla.

A delegada afirmou ao blog que vai tomar providências junto à Corregedoria do Estado, por causa do que, segunda ela, foi uma verdadeira afronta com os colegas de trabalho.
 
Delegada Maria Tecla

REPERCUSSÃO NA IMPRENSA…

Além de ter sido o comentário do dia pelas ruas da cidade, as declarações também repercutiram em outros meios da imprensa local. Na Rádio Eldorado, emissora do ex-prefeito Ricardo Archer, o assunto virou tema de imensa discussão. O radialista César Santos não poupou o delegado e fez duras críticas a Rômulo Vasconcelos. César Santos aproveitou para fazer algumas cobranças ao delegado, como crimes que estão até hoje sem solução.

O espaço está aberto no Blog, caso o delegado, queira fazer algum esclarecimento.


SEM COMENTÁRIOS À NOTICIA, FAÇO QUESTÃO DE COMPARTILHAR TEXTO QUE PUBLIQUEI EM 2009.  


POLICIAL CIVIL, ESTRESSE PROFISSIONAL E ATENDIMENTO PSICOLÓGICO ADEQUADO


POLICIAL CIVIL, ESTRESSE PROFISSIONAL E ATENDIMENTO PSICOLOGICO ADEQUADO



Estava lendo sobre essa tragédia envolvendo um policial civil que se suicidou depois que matou a irmã. Uma tragédia lamentável. Meus sentimentos a família diante de tão grande dor!

Fato é que, não por acaso, essa tragédia me remeteu a um fato corriqueiro entre os policiais: o constante estresse, e decidi por fim, compartilhar aqui de um momento pessoal que vivo.

Trabalho em uma delegacia onde nunca consegui me adaptar (ficar em harmonia, em conformidade, agir de acordo). Cheguei com boa vontade, mas é claro, precisando das orientações básicas de quem precisa começar um trabalho novo, em um ambiente desconhecido. Encontrei hostilidade e absoluta falta de entendimento entre as autoridades policiais. Se aquilo é o ambiente normal de uma delegacia, Deus que me guarde, proteja e ilumine sempre! Um ambiente de guerra com cobrança diária de que lado guerrear: de um, sua razão, sua consciência; do outro, aqueles que podem propiciar um ambiente “tranquilo” de trabalho. Levava comigo os conhecimentos da Academia, aquela que você também participou, onde escutamos reiteradamente que não devíamos nos corromper diante das tentações, devíamos combater o crime com cautela e sem precipitação, onde os criminosos podiam ser até os nossos pares, que os escrivães seriam “escravães”, que os policiais que fossem para o interior teriam várias mulheres, caso quisessem....que seriam flagrantes algumas irregularidades, e lari e lari e lari-ê. Tudo verdade! Só esqueceram de dizer que nossa fala seria muda perante a Secretaria.

Bom, mas além desses conhecimentos eu também ganhei o meu revólver ( ah! como fiquei orgulhosa no dia que peguei essa arma), optei pelo revólver, não sei mesmo manusear uma pistola, até mesmo porque o que eu faço mesmo é digitar, e muito. Ás vezes 16 horas por dia. Isso mesmo! Quem obrigava?! Minha consciência, minha falta de experiência, minha vontade de atender todas aquelas pessoas que chegam sofridas e angustiadas pelos problemas que vocês tão bem sabem. Delegacia sempre lotada, muitos trabalhando, poucos (como sempre) enrolando, fazendo corpo mole, e quase sempre declarando “razão” de toda ordem. O propósito de tanto trabalho sempre foi um só. Dar prosseguimento, fazer um procedimento chegar ao fim. Fazer valer o direito de quem tem garantido na Constituição o direito de acesso à justiça. De dia sentada, mãos ágeis, pensamento rápido e socorro imediato ao Delegado diante da falta de conhecimento do que fazer quando ele não estava presente, pois duas vezes por semana responde por outra cidade (se tem um lugar que um corpo pode ocupar dois lugares no espaço....). O tempo de policia é pouco, mas já são tantas histórias.

A parte boa é que eu gostava, fazia tudo isso feliz. Ficava de bem no inicio da madrugada quando tinha conseguido finalizar um inquérito. Missão cumprida! Mas a sensação dura pouco diante de tantos outros que ainda ficam por concluir!

Daí pegava o meu colchão e rodopiava pela delegacia atrás do melhor espaço para descansar. Quando dava dormia no alojamento com os agentes (policial não tem sexo!), quando não, ficava pelo meu espaço de trabalho ou escolhia a sala do delegado quando tinha certeza que não corria o risco dele aparecer no meio da madrugada para alguma diligência, afinal a sala dele é mais limpa e o ar condicionado funciona direitinho! Até porque no alojamento não se dorme, pois os presos como vocês sabem dormem de dia, a noite fica para empreendimento de fuga, até porque isto não é difícil. Este ano já foram tantas! Também tem combinação mais propicia: local inadequado x excesso de presos x agentes policiais na função de carcereiro em numero reduzido. Hoje temos dezenas deles amontoados em poucas celas. Ademais quem consegue dormir com presos gritando a noite inteira. E se o grito é um só repetido a noite inteira: “carcereiro eu quero água, carcereiro eu quero água, carcereiro eu quero água...”. Mentalizou!? Até tu conseguires tirar esse grito da tua cabeça ele já bebeu o rio Itapecuru.

É ou não é a pura imagem do inferno? E como é.

Sempre levantei antes das seis, já que as noites quase sempre eram de torturar até o diabo e precisava liberar a sala para limpeza. No mais, todas as tensões que você caro(a) colega também passa. Todas as frustações que você também sente. Todos os “sapos” que alguns de nós engolimos.

A MINHA CONCLUSÃO?! Que apesar das dificuldades a imperiosa mudança precisa de ação, não tem outro jeito, precisamos agir.

O MEU ESTADO?! Acerca de seis meses passei a sentir a cabeça adormecer, por duas vezes sentimento de paralisação na face direita. Nos ombros dores intensas, braço direito adormecido e dedos da mão direita muitas vezes desobediente a comandos dados. Falta de ar. Taquicardia intensa, insônia e irritação desmedida e descontrolada. Para controlar a dor fiz automedicação. Para relaxar e dormir, por duas vezes consumo de uma latinha. Se eu bebo? Não. Mas deu certo uma vez, fiz a segunda. Não é assim que os vícios começam?

O meu silêncio me custa hoje duas sessões psicológicas por semana, uma psiquiátrica por mês. O diagnostico inicial foi de estresse no trabalho. Eu pensava até que isso não existia para nós policiais pois me lembro que em uma reunião de trabalho um superior na tentativa de explicar a natureza e as dificuldades do trabalho policial assim disse: “policia é para se f.... ! nossa vida é essa, f.... mesmo”. Parece que é verdade!

Mas, mais verdade ainda é que todos nós sentimos, somos humanos, e entre todos há aqueles que não conseguem se conter e extravasam de maneira prejudicial a si, optando pelos vícios e chegando às vezes ao limite do suicídio.

Certa de que meu estado não estava normal procurei ajuda no lugar errado, pois liguei para a Secretaria e desabafei. Lugar errado, pessoa errada ou desinteressada. Desabafo tardio, eu já estava doente.

Precisei e precisamos de atenção psicológica. Não é vergonha, e para alguns é necessidade. Nada tem haver com falta de perfil psicológico para policial. Conversa fiada, meio de encobrir a falta do devido atendimento que deve ser dispensado a um profissional exposto diariamente a uma situação de estresse. Não podemos trabalhar com as situações de exceção, temos que focar na regra e a regra é estresse diário sim.

Precisamos de um serviço de assistência social para o policial que precisa de apoio que realmente efetive uma cultura de avaliação do quadro do paciente. Saúde é coisa seria e também caso de policia.

Na época da Academia minha turma escolheu como grito de guerra o seguinte: “FORÇA, CORAGEM E DETERMINAÇÃO, ESTAMOS SEMPRE PRONTOS PARA CUMPRIR QUALQUER MISSÃO...!” A turma nunca quis mudar o grito, foi o mesmo do inicio ao fim, confesso que não gostava muito. O que penso hoje!? Ou grito profético.

EPC Márcia Gardênia Alves Pereira/ Delegacia de Policia de Codó.