quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

EM BELÉM (PA), AULA DE KARATÊ VIRA CASO DE POLICIA


Uma adolescente conta que foi agredida pelos professores de karatê durante as aulas na associação de moradores do Conjunto Pedro Teixeira, no bairro do Coqueiro, em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. "Quando tinha as lutas, ninguém podia beber água durante uma hora e meia de treino. Ninguém podia encostar a coluna na parede. Nós tínhamos que ficar com as pernas trançadas, o que causava até muitas vezes dormência, dores. A forma de correção dele era o kiba-dachi, que eram os famosos socos na barriga. Ninguém podia bocejar. Eu não podia bocejar que ele já perguntava se eu queria que ele me acordasse. E o exame de faixa, depois de eu ter lutado com duas meninas, já estava cansada, ele veio com sequência de cinco socos", revela.

Na associação de moradores do conjunto Pedro Teixeira, os professores davam aulas há cerca de dois anos para mais de 30 alunos a partir de 4 anos de idade. Segundo a comunidade, eles chegaram ao local informando que faziam parte de um projeto social chamado "Karatê na minha vida". Mas, em vez de aulas, os alunos pareciam participar de sessões de pancadaria. Nas imagens feitas por um cinegrafista amador, um deles aparece levando um chute no rosto de um dos professores. Em outra, um deles pisa na cabeça de um rapaz. Tudo é assistido por crianças.

Assim que tomaram conhecimento do que acontecia nas aulas, pais de alunos ficaram revoltados. "A gente vê que realmente é uma violência contra a criança, contra menores. Eu acho que isso é um ato de covardia que dois professores fazem contra os alunos", conta um dos pais, que não quis se identificar. Os professores que representam a Associação Shin Hagakure de Karatê foram identificados como os irmãos John e Jonivaldo Santa Rosa. Eles também dão aulas no conjunto de moradores Bela Manoela, no bairro do Tenoné, em Belém, onde 60 alunos fazem karatê.

Em um dos vídeos, em um exame de troca de faixa, um dos professores aparece dando socos nos alunos, que parecem não aguentar a dor. Esse adolescente, que teve aulas no local por mais de quatro anos, relata o terror vivido durante esses anos. "Socos na barriga, o que nós chamávamos de boken, que é uma espécie de madeira que ele tinha. Ele acertava na barriga dos alunos também. Às vezes, socos no braço, na posição de flexão de apoio. Chute na perna. Violência na luta também era comum lá. Eu tenho vários dedos fraturados. Se eu fizer qualquer esforço, dói. O estômago, às vezes, doía um pouco. Inclusive eu adquiri até um cisto por força, fazer muita força lá", conta.

Fonte:  g1.com/Pará