segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Armadilhas fatais, iguais às de Santa Maria, no Brasil todo.



A presidente Dilma Rousseff presta apoio aos familiares das vítimas do Incêndio, em Santa Maria


Nada que se escreva,  mostre ou fale consegue consegue exprimir a barbaridade, a comoção e o sofrimento da morte de mais de 230 jovens no incêndio da Boite Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, na madrugada deste domingo. Uma conjunção de irresponsabilidades causou a morte de tantos, a dor em suas famílias e a emoção nacional e internacional. Primeiro, creio, foi o uso absurdo de um sinalizador dentro do ambiente da boite, que leva ao segundo fator crítico: o revestimento acústico altamente inflamável. Decisivo foi também haver uma só saída na Kiss (que era também a entrada). Sem saídas de emergência, a aglomeração e o tumulto causados pelo pânico foi fatal (com o agravamento da atitude de impedir a saída das pessoas, pelos seguranças da casa, que exigiam o pagamento das  contas para deixar sair). Também foi grave haver mais de 1.500 pessoas, num ambiente com capacidade para 500, assim como a permissão de funcionamento da casa com alvará vencido.

Nada trará de volta tantos jovens mortos. Nem a severa punição de todos os culpados desta tragédia. Resta orar pelos falecidos e ofertar conforto às suas famílias e amigos, com atitudes severas das autoridades municipais, estaduais e federais, em todo o Brasil, para que estes trágicos eventos nunca mais ocorram.

Ideias são muitas e há experiências anteriores no mundo sobre como evitar que isso se repita. Nos Estados Unidos, por exemplo, casas noturnas e de eventos não funcionam sem alvarás, que exigem uma série de providências de segurança. Casas que recebem mais de 200 pessoas, por exemplo, têm que possuir brigadas de incêndio treinadas e equipamentos testados cotidianamente. Diversas saídas de emergência são obrigatórias, assim como o uso de sprinklers (espargidores de água, em caso de incêndio) no teto, colocados de forma tecnicamente aprovada (como é nos hotéis).

Punir os culpados e responsáveis por esta tragédia é fundamental, como exemplo, mas é muito mais importante, agora, prevenir futuras situações de risco de morte nas casas noturnas e de espetáculos (e mesmo em shows, bufês,  restaurantes e clubes que recebem grandes públicos) que são verdadeiras armadilhas fatais.

Não há como não ficar comovido com o que aconteceu em Santa Maria e a nossa comoção deve ser transformada em indignação e cobrança das autoridades públicas e dos empresários destes setores de entretenimento, para acabar com estas verdadeiras armadilhas nas quais nossos filhos e netos, e nós mesmos, entramos inocentemente, confiando na segurança que estas casas deveriar oferecer – mas não oferecem.

Armadilhas fatais nunca mais!
BLOG DO JJ

Fotos da noite do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria
A boate Kiss  após o incêndio, em Santa Maria, Rio Grande do Sul
Brigada de incêndio no combate às chamas, na boate Kiss, em Santa Maria, na madrugada deste domingo
Familiares durante o velório das vítimas do incêndio em Santa Maria, no Rio Grande do Sul
Familiares das vítimas do incêndio em Santa Maria, no Rio Grande do Sul
Corpos de vítimas de incêndio em boate são velados em ginásio de Santa Maria