sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Treinada para furtar

Aos 3 anos, uma garota pode ter sido usada por familiares para efetuar furtos. Desde a última sexta-feira (7/12), quando houve registro de um caso dentro de hospital particular em Ceilândia, investigadores trabalham no caso. Filmagens da unidade de saúde registraram a atuação da mãe que teria induzido a filha ao crime  contra atendente do estabelecimento. Em outro caso, câmeras flagraram a avó com a menina em outro furto. Para a polícia, os familiares podem ter treinado a criança para cometer o delito.

Por volta das 12h10 da última sexta-feira, a recepcionista de hospital particular no conjunto H da QNM 17 foi vítima do primeiro furto descoberto. 
“Eu estava atendendo duas outras pacientes, enquanto elas aguardavam”, conta a funcionária. “É normal criança ficar na borda e observar, ficar querendo pegar objetos. Jamais ia imaginar que a mãe que havia instruído a menina a ficar de olho.” Na filmagem, a garota tenta passar para dentro do balcão, enquanto a funcionária ainda está, e é impedida pela mãe.

Em seguida, contudo, a atendente precisou deixar a bancada, para buscar orientação com um médico. “Assim que voltei, já dei do celular”, relata. A filmagem mostra quando a criança apanha o aparelho, para na sequência sair do hospital acompanhada pela mãe. “Houve outros casos de furtos por aqui, mas os autores ainda não foram identificados”, disse a vítima, de 22 anos, que preferiu anonimato. Feito o registro do furto, investigadores da 15ªDP passaram às apurações.

Divulgadas as imagens do hospital, outro furto - ainda sem reconhecimento formal - foi atribuído às familiares. “Sabemos de ao menos um fato, no Plano Piloto, porém a vítima não fez o registro da ocorrência, mas entrou em contato com a delegacia e informou ser ela (a mãe) a autora”, detalhou o delegado-chefe da 15ª DP, Mauro Leite. Segundo ele, o caso ocorreu na Defensoria Pública do DF, onde uma servidora teve a bolsa levada.

Na última quarta-feira, agentes conseguiram filmagens de um terceiro furto, em 13 de novembro, dentro do Fórum de Ceilândia, do qual a mãe da criança, Paula Roberta Pereira de Lima, 29 anos, e a avó, Salvelina Pereira da Silva, idade não informada, teriam participado. “Elas estavam presentes e a situação foi idêntica (à do hospital)”, disse o delegado. No caso, a menina teria apanhado uma bolsa. “Para nossa surpresa, a avó, que até então era uma testemunha, passou a ser também autora.”

A mãe foi intimada a comparecer à delegacia, para prestar declarações, o que não havia feito até a tarde de ontem. “Se, ao final do inquérito, entendermos que há motivo para solicitar a prisão, nós o faremos”, afirmou o delegado, que informou ainda que a mãe deve ser indiciada por corrupção de menores - com pena de 1 a 4 anos - e furto - 2 a 8 anos - duplamente qualificado, por concurso de pessoas e destreza, tendo como último agravante a hipótese de os familiares terem instruído à criança a realizar os crimes.


Lei nº 8.069/1990 (ECA)
Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la:

Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 1o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet.
§ 2o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1º, da Lei nº 8072/90. (crimes hediondos)