terça-feira, 11 de dezembro de 2012

"Cinquenta Tons de Cinza" : aspectos jurídicos, sociológicos e psicológicos

O conteúdo do best seller "Cinquenta Tons de Cinza", da autora inglesa Erika Leonard James, foi abordado sob o ponto de vista de três óticas do conhecimento, na manhã desta segunda-feira, 10, na Escola Superior do Ministério Público do Maranhão (ESMP). Para discorrer sobre a obra foram convidados a psicóloga Giovana Dualibe de Abreu Vieth, mestre em Psicologia Clínica e Cultura; o sociólogo e professor Francisco José Araújo, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA); e o delegado e professor de Direito Penal da Unidade de Ensino Superior Dom Bosco (UNDB), Cleopas Isaías Santos.

Giovana Vieth, que possui um blog de psicanálise e psicologia num portal de notícias local, foi a primeira a discorrer sobre o livro. Ela destacou, primeiramente, a diferença dos perfis dos personagens principais, Anastasia (Ana) Steele e Christian Grey. Ela aparentemente discreta e ele de personalidade dominante. Também abordou o posterior contrato proposto por Christian para práticas sexuais sadomasoquistas. "Diante desse comportamento dos personagens, o sujeito do Direito nem sempre é compatível com o sujeito da Psicanálise", disse, reafirmando que o livro pode ser abordado por diferentes áreas do conhecimento, às vezes, discordantes.

O sociólogo Francisco Araújo comentou que um dos aspectos atraentes da obra é a narração feminina em tom erótico. "O texto narrado por uma mulher trata de assuntos que os homens costumam comentar numa mesa de bar".
Ele também chamou a atenção para a forma do texto, sintético como as mensagens das redes sociais. "Há uma síntese extremada do discurso verbal, uma narração instantânea", declarou.
Outro ponto destacado pelo professor da UEMA foi o conflito vivido pela personagem Ana, que parece avessa ao consumo, mas que, no fundo, é encantada por objetos tecnológicos e produtos sofisticados, como aparelhos da Apple, vinhos e tecidos. "Há uma tensão no espaço do consumo que culmina no envolvimento dos personagens. Ana se encanta com Christian por este ser um empresário de sucesso".

Por último, o delegado Cleopas Isaías Santos destacou que o caráter moral da obra, suscitada pelo contrato para sevícias sexuais, incluindo o sadomasoquismo, pode levantar a questão do limite da intervenção do Estado na esfera privada. "Imaginar que o Estado possa intervir protegendo o corpo do indivíduo dele mesmo não é mais justificável. Considero o controle do próprio corpo um direito fundamental", concluiu.



 Fonte: http://www.mp.ma.gov.br/