sexta-feira, 26 de outubro de 2012

CRÔNICA NADA DIVERTIDA


COM RG MAS SEM REGISTRO



 

Já era quase noite, e apavorada corri para delegacia. Em detalhes descrevi os dois homens que adentraram a minha casa e me agrediram. O motivo desconfiei, e certa de que não demandaria qualquer dificuldade para a policia descobrir a autoria do crime confiei minha suspeita e relatei a provável motivação das agressões sofridas. A certeza eu ainda não tinha, mas já desconfiava que nenhuma providência legal seria tomada.  Apostei por apostar, umas dessas teimosias que a gente insiste em ter. Com a orelha cortada, o sangue ainda escorrendo, o corpo marcado pela violência não foi difícil verificar em mim a vítima. De imediato exame de corpo de delito. Em seguida, termos de declarações, declarações... testemunhas e tempo, muito tempo!!! Tempo suficiente para eu lembrar que nasci pobre, tenho pouca leitura, vivo no mercado informal, não tenho acesso a advogado e nem o Estado para me amparar. O tempo passou, conclui pela minha audácia, confirmei minhas suspeitas e rendi-me a insignificância que me é atribuída. Calei, desisti e diante do medo imposto duvidei das minhas certezas. Não tardou e passei a negar o fato, afinal, aprendi cedo que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Com o dinheiro que me comprou comprei um palácio que só tive o prazer de admirar por fora, quando ia conhecer seu interior ACORDEI.  Acordada,  enquanto refletia o sonho, me dei conta de que continuava no meu casebre, mas para uma coisa serviu o sonho: ENTENDI O RECADO.  APRENDI A LIÇÃO.
Márcia Gardênia.  EPC Bacabal