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domingo, 8 de Abril de 2012

Prostitutas enfrentam estigma da violência

Há dez anos, o Ministério do Trabalho e Emprego incluiu a prostituição na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), mas o estigma está longe de ser superado. Consoante as dirigentes de Grupos de Mulheres Prostitutas as profissionais do sexo continuam sendo alvo de graves violências, cometidas por companheiros, clientes e até policiais, embora não haja dados sobre a morte ou agressões e nem sobre punição aos agressores. Em Belém (Pa), o projeto "Zona de Direitos", do Gempac, contabilizará os casos para levá-los ao conhecimento das autoridades para a adoção de medidas preventivas. Hoje, seis mil mulheres se prostituem na Região Metropolitana de Belém, revela a Dirigente  do Grupo de Mulheres, Lourdes.
"Marciele", 30 anos, identificada com pseudônimo, mostra o corpo cheio de marcas de agressões. Na boca, falta-lhe um dente, quebrado numa dessas agressões. Mãe de quatro filhos, ela tem marcas nas costas, segundo ela feitas por um ex-namorado que, numa crise de ciúmes, a atacou com um pedaço de concreto com uma lajota encrustrada. "Tive medo de morrer. Levei muitos pontos (no ferimento). Depois ele tentou me matar enforcada, mas eu consegui fugir", relata ela, que diz não ter registrado ocorrência por não acreditar que o agressor será preso, a exemplo do pai dos filhos dela que, segundo conta, quando ainda tinha 17 anos, maltratou-lhe por diversas vezes. "Ele ficou preso um ano e depois veio atrás de mim, me matar. Não dá pra procurar a polícia". Marciele diz que, na prostituição, há violência entre as próprias mulheres, que competem pelo clientes, roupas e beleza; o consumo de drogas por algumas, como a própria Marciele, dependente química; até o uso de armas para revidar as agressões, para roubar clientes e até para espantar assaltantes e policiais.

A prática de atos sexuais como valor de troca não é novidade. A prostituição está no mundo desde os primórdios - constando até na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), lista do Ministério do Trabalho, e desde sempre é vista com preconceito pela sociedade. Nesse universo, tudo está no sexo como uma atividade rentável. Assim também, o turismo sexual e o tráfico de pessoas não são fenômenos novos, muito menos a sua ligação com a prostituição. Portanto, as vítimas, mulheres que vivem situações de exploração e/ou abuso sexual e tráfico, são criminalizadas porque o sentimento que impera é o preconceito. Todo o sofrimento vivenciado por elas parece não ser suficiente para que a sociedade as reconheça como vítimas, o que é mais um dificultador no combate a esse tipo de crime.

 Pesquisas Sobre Trafico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual Comercial no Brasil (Pestraf) resumem bem a visão refletida por grande parte da sociedade: "algumas vozes justificam que o consentimento e sua inserção na prostituição não as fazem vítimas, mas, sim, coparticipantes nesse processo. Isso banaliza a situação e favorece o crescimento de um comércio lucrativo e a impunidade das organizações criminosas do sexo".
Saiba mais conheça o O VIOLES - grupo de pesquisa sobre violência, tráfico de pessoas no contexto da exploração sexual comercial de mulheres, crianças e adolescentes, criado em junho de 2002 pela Profa. Dra. Maria Lúcia Pinto Leal, do departamento de Serviço Social da UnB. Está articulado com o Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação-DPP/UnB e certificado pelo CNPq.

Fonte: http://grupovioles.blogspot.com.br/