segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Bebê raptado é encontrado em Fortaleza

A Polícia do Piauí e Ceará localizou na noite desta segunda-feira (7) em Fortaleza (CE) o bebê raptado no bairro Santo Antônio, em Teresina. Sumido há 13 dias, a criança foi levada por quadrilha que a venderia, segundo a Polícia, em troca de um apartamento em Recife e R$ 4 mil em dinheiro. Nas investigações, a Polícia prendeu o ex-deputado estadual da Paraíba e ex-pastor evangélico Fausto Oliveira.  Na operação, as Policiais prenderam a suposta intermediária de nome “Michele”. 
Desde a prisão do ex-deputado, a Polícia fazia monitoramentos em hospitais, pousadas, hotéis e na rodoviária. Hoje, a delegada Andrea Magalhães obteve informação de que a Michele viajaria de ônibus. A delegada acionou a Polícia do Ceará que conseguiu prender a mulher quando estava embarcando na rodoviária de Fortaleza. Ela iria viajar sozinha e deixou a criança em uma residência em Fortaleza. Com a prisão, Michele levou os policiais até a casa onde escondia o bebê.


O promotor da Infância e Juventude, Ruzvel Lima Verde, comentou o caso do sumiço da criança, em que o ex-deputado da Paraíba, Fausto Oliveira, está sendo acusado. A mãe do bebê diz que sua filha foi sequestrada e pode ter sido alvo de uma quadrilha que trabalha com tráfico de crianças. Segundo o promotor, casos irregulares de adoção, que envolvem "venda" de crianças, são dificilmente detectados e podem ser uma prática comum no Piauí. Em razão disso, a 1ª Vara da Infância e Juventude está adotando medidas para identificar e barrar os processos ilegais de adoção. Em 2011, foram feitas 40 adoções regulares no Piauí. "Às vezes, a pessoa chega aqui querendo adotar uma criança dizendo que foi deixada na porta de sua casa. Mas isso pode ser um passo para o cadastro ilícito. Há três anos tivemos um caso na Maternidade Evangelina Rosa. Não sabemos quantos casos ocorrem, mas podem ser muitos. Só sabemos daqueles que não dão certo que a mãe se arrepende e faz a denúncia", descreve. Ruzvel afirma ainda que há casos em que casais de outros estados, como São Paulo, custeiam a gravidez de mulheres piauienses, geralmente adolescentes pobres, e vêm pegar a criança após o nascimento. "Há um subterrâneo por trás do procedimento. Por isso fazemos o máximo para seguir a Lei de Adoção, que está no Estatuto da Criança e do Adolescente e que sejam adotadas apenas as crianças que estão no cadastro nacional por casais que também estão cadastrados", declarou, referindo-se ao artigo 50, parágrafo 13º do ECA. O promotor explica que um dos meios de evitar a legalização de procedimentos irregulares é conceder apenas a guarda da criança. "Nossa função hoje é impedir essas adoções ilegais. Por isso, em alguns casos, concedemos apenas a guarda, que é revogável, já que a adoção é irrevogável", afirmou.